Fiz um app. E agora, como ganho dinheiro?

como-ganhar-dinheiro-com-aplicativosMuitas pessoas me perguntam como ganhar dinheiro com apps. Particularmente eu só desenvolvo apps para terceiros, como já relatei em outro post, e trabalhar dessa maneira é a mais óbvia para ganhar dinheiro a curto prazo, não necessariamente a melhor quando seu objetivo é ter um lifestyle business. Nada contra quem desenvolve seus próprios apps e quer ganhar dinheiro com eles, muito pelo contrário, dou o maior apoio e tenho dois livros publicados a respeito disso (veja na seção Meus Livros).

Mas me atendo ao assunto principal, conheço vários programadores que têm uma ideia de app, muitas vezes desenvolvem ele para depois se perguntarem: e agora, como ganho dinheiro? Não preciso nem dizer que isso é uma má ideia, certo? Jamais desenvolva um produto antes de descobrir como ganhará dinheiro com ele (faça um MVP primeiro). Note que falei de produto, caso esteja desenvolvendo como hobby ou apenas para aprender, sem problemas se não ganhar dinheiro, não é mesmo? Mas no caso de um produto, você espera retorno financeiro, certo?

Monetização

Esse é o nome dado ao método como geramos dinheiro através de um software. Monetizar um software é extrair valor monetário dele após gerar valor ao cliente de alguma forma. Existem diversos tipos de monetização quando o assunto é ganhar dinheiro com apps. Vou falar dos principais deles aqui e espero que ajudem você a descobrir qual é o mais indicado para o seu app. Diversos deles são citados em um livro que já resenhei aqui, o Império dos Apps, onde são estudos com mais aprofundamento.

 

Free com publicidade

O número 1 de quem cria apps e quer deixá-los de graça, não necessariamente por ser o melhor, mas por ser o jeito mais fácil. Nesse modelo, você se cadastra em plataformas de monetização de conteúdo (como as que citei nesse post) e terá acesso a códigos para colocar em seu app.

Dependendo da plataforma que usar, podem ser links de compra, podem ser banners de anúncios, vídeos de propaganda e por aí vai. Tem muitas opções pra todo tipo de app. Geralmente você ganha alguns centavos de dólar a cada clique na propaganda/vídeo ou alguma comissão pela venda de algum produto. Ou seja, só dá dinheiro em grandes quantidades de pessoas usando seu app.

Alguns desenvolvedores ainda dão a opção do usuário pagar uma quantia, geralmente U$1 para que as propagandas sejam removidas só pra ele. Mas daí isso entra em “compras pelo app”, mais abaixo.

Cobrar pela instalação

Talvez o jeito mais óbvio, embora pouco usado no mundo Android (o mais comum são os apps pagos para iOS). Aqui você define um preço por instalação do seu app. Caso tenha publicado ele na Google Play, o preço costuma variar entre U$0,99 e U$9,99, dependendo da utilidade do app. Apps simples e úteis costumam custar os U$0,99 que falei, deixando os preços maiores para jogos elaborados e apps altamente profissionais, como os apps de calculadora HP12C que os contadores usam.

Fora da Google Play, os apps corporativos costumam ser vendidos por preços muito mais altos, como falo em meu livro Criando apps para empresas com Android. Nesse mundo, você vende apps por, no mínimo, centenas de R$, sendo o mais comum um app custar milhares de R$. Existe também o modelo de licença, que falarei mais pra frente.

Algumas estratégias para diminuir o “atrito” de compra é usar a estratégia freemium (mais adiante) ou a estratégia Trial, onde você deixa o usuário usar de graça o seu app por um período de tempo limitado. Depois disso ele tem de pagar para continuar usando. Funciona.

Freemium

Esse termo, cunhado por Chris Anderson, significa um produto free, mas limitado, que acaba gerando vendas para um outro produto pago, com mais recursos. Essa é uma estratégia bem comum no mundo dos apps. Você dá o app de graça, mas em uma versão reduzida, e dentro deste app limitado, faz propaganda do seu app pago. E essa estratégia não é exclusiva para apps, eu faço isso com meu ebook Meu primeiro app Android, que serve de versão free do ebook principal de Android.

Se você fez um jogo, pode dar algumas fases de graça. Se fez um app corporativo, pode dar apenas algumas funcionalidades limitadas. O lance aqui é ser criativo, para não dar demais (tornando desnecessária a compra, caso clássico do Evernote), nem de menos (tornando pouco atraente o download). Não existe uma regra geral, você terá de testar com o seu público.

Licenciamento/Recorrente

Essa forma de monetização é geralmente utilizada por empresas e é uma das mais complicadas de todas. Aqui, você fornece o app sem um custo inicial geralmente, e cobra por licença de uso. Essa cobrança pode ser mensal, anual, etc, dependendo de quem for o seu cliente. Trabalhei em 2007 em uma empresa que desenvolvia apps para ajudar vendedores externos (o que chamamos de Automação de Força de Vendas) e cobrava uma mensalidade dos seus clientes, além de um custo de implantação e treinamento.

Esse é um jeito incrível de ganhar dinheiro pois lhe gera uma renda recorrente alta por usuário, e nada é melhor do que ganhar dinheiro todo mês dos mesmos clientes. Porque nem todo mundo opta por esse modelo? Porque é complicado de cobrar, vide o caso do Whatsapp e sua anuidade de U$1. Você já pagou alguma vez ao Whatsapp? Mas ele já te avisou da cobrança, certo?

Fazer cobrança recorrente até não é tão difícil com ferramentas automatizadas como Stripe e Recurly. O problema é bloquear o serviço automaticamente quando o cliente é inadimplente. Aqui fica contigo pensar em como poderia fazer isso no seu app e se até mesmo é interessante esse tipo de cobrança entre o seu público-alvo.

Compras dentro do app

O termo correto aqui é in-app purchases, ou digital goods. São aqueles itens digitais que você compra dentro do app como “vidas adicionais”, “recursos extras”, “boosts” e de certa forma, algumas trapaças. Você pode fazer um app que depois lhe ajuda a vender seus ebooks por dentro dele, por exemplo. No caso do Angry Birds, o app para Android era de graça, mas você podia comprar recursos do jogo (digital goods) e até mesmo itens de verdade como chinelos e pelúcias que seriam entregues na sua casa!

Compras dentro do app geram milhões para empresas que sabem como fazê-las como Supercell (Clash of Clans, Hay Day) e Niantic (Pokemon Go). Se seu app tem a possibilidade de vender produtos dentro dele, sejam digitais ou físicos, faça. Dá trabalho, mas se bem implementado, dá muito resultado e tem sido a estratégia número um em faturamento atualmente, principalmente para jogos.

Apps free com doação

Primeiro, se o seu app ajuda as pessoas de alguma forma, mas não quer cobrar delas alguma quantia, você pode colocar um botão para doação no app. Esses botões são muito fáceis de fazer usando plataformas como PagSeguro e PayPal e a pessoa fica livre para doar o quanto quiser.

Nem preciso dizer que se seu objetivo é retorno financeiro, esperar por doações não é uma boa ideia.

E você, conhece alguma forma de monetização de apps que não foi citada aqui? Tem alguma dúvida sobre alguma forma específica?

Criando apps para empresas com Android

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Publicado por

Luiz Duarte

Pós-graduado em computação, professor, empreendedor, autor, Agile Coach e programador nas horas vagas.