Os Heróis da Revolução – Resenha

O título original em Inglês soa melhor, mas Hackers: The Heroes of the Revolution é um ótimo livro de qualquer jeito. Ok, confesso que fui seduzido pela capa, com as silhuetas de Jobs, Wozniak, Gates e Zuckerberg e a chamada de como eles mudaram nossas vidas.

Confesso também que me decepcionei ao saber que esta foi apenas uma jogada de marketing e que Zuckerberg nem mesmo é citado no livro.

De qualquer forma, foi uma ótima leitura e hoje trago um breve resumo para quem possa se interessar pelo livro.

Se preferir, assista ao vídeo abaixo ao invés de ler a resenha.

A Primeira Geração de Hackers

O livro foi escrito por Steven Levy em 1983. Sim, isso mesmo, é um livro muito velho. Mas a história que ele conta é mais velha ainda, dos primeiros hackers originados no MIT, na década de 60. Oriundos de um clube eletrônico de ferreomodelismo (aqueles autoramas com trenzinhos, sabe?) os jovens e brilhantes garotos que mais tarde seriam cohecidos pelas suas façanhas computacionais ocupavam seus dias soldando componentes e montando placas de circuitos até que o investimento militar trouxe os primeiros grandes mainframes de pesquisa e eles foram cativados pelo poder da computação. O livro cita nomes e conta as histórias de hackers famosos como Bill Gosper, David Silver, Stew Nelson, entre outros e confesso que essa primeira parte é um pouco curiosa e monótona, mas é importante pois é nela que se forma o conceito da ética Hacker e desmistifica a crendice popular de que hackers são bandidos digitais, quando na verdade um hacker é um perito tecnológico que ama a tecnologia e acredita que ela deve ser sempre desenvolvida e compartilhada das melhores maneiras possíveis.

A Segunda Geração de Hackers

Avançando no tempo e chegando na década de 70, durante o início da revolução do computador pessoal, conhecemos os hackers de hardware, considerados da segunda geração. Gênios como Steve Wozniak, Ed Roberts e o famoso Capitão Crunch são enaltecidos através de seus importantíssimos papéis para o desenvolvimento dos primeiros PCs, seja em suas fábricas como a Mits, seja em suas garagens e no Homebrew Club. É neste capítulo que a narrativa se torna mais empolgante com a corrida computacional para ver quem emplacava o melhor modelo, quem democratizaria mais o acesso à tecnologia. Alguns nomes são citados de relance, como o de Bill Gates, que desenvolveu uma das primeiras linguagens de programação para estes novos computadores e fez fortuna com os royalties dos produtos da Microsoft, sua recém fundada empresa. Conta também o vertiginoso crescimento da Apple, bem como de outras empresas que rapidamente foram engolidas.

A Terceira Geração de Hackers

Inusitadamente a terceira geração, na década de 80, são a dos hackers de jogos, que criaram toda uma indústria biolionária sobre outra indústria bilionária com games para computadores pessoais. Antes dos hackers de jogos, os computadores possuíam programas para criar programas. Basicamente eram máquinas para trabalho e com o advento dos primeiros jogos para computador, repetindo títulos das máquinas de fliperama, criou-se um universo de aficcionado por computadores que usavam a máquina não apenas para trabalho, mas agora para lazer também. Nomes como Ken Willians, da Sierra, John Harris, criador do Frog, entre diversos outros ícones desta indústria são profundamente examinados bem como os jogos que marcaram a época desde sua concepção até alguns pormenores técnicos. Simplesmente a melhor parte do livro, na minha opinião.

O Último dos Hackers

Finalmente o livro termina traçando a trajetória do Richard Stallman, criador do GNU, da Fundação do Software Livre e do Emacs, que é considerado o último hacker original do MIT, que ainda hoje briga para que o legado dos hackers seja mantido, respeitado e levado adiante. Extremamente radical e intolerante, Stallman vê no software proprietário uma praga a ser eliminada da face da Terra. O livro fala também do que mudou na vida dos hackers, através de duas atualizações, uma de 1993 e outra dos anos 2000, e é bem curioso.

Como mencionei anteriormente, o livro é bem monótono no início e demorei alguns meses para concluir o primeiro capítulo. Entretanto os seguintes são bem mais contemporâneos e dinâmicos, e em especial a terceira geração de hackers me deixou muito inspirado em voltar a fazer alguns jogos como hobby, obviamente usando Corona SDK, meu framework mobile favorito.

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Até a próxima!

Publicado por

Luiz Duarte

Pós-graduado em computação, professor, empreendedor, autor, Agile Coach e programador nas horas vagas.