8 dicas para deixar seus apps Android mais profissionais

A ideia deste post é te dar uma série de dicas práticas que podem agregar mais profissionalismo e capricho às suas aplicações Android. Vão desde “firulas” que costumam impressionar no acabamento final do app até coisas realmente importantes como o ícone, que é a marca do seu app nas lojas e nos smartphones dos seus usuários.

Sendo assim, separei 8 dicas para deixar seus apps Android mais profissionais:

Vamos lá!

#1 – Como tocar sons no seu app

Geralmente apps são “mudos”. Ter um app que toca pequenos sons, como indicativos de que algo mudou ou terminou, é um grande diferencial, pois ajuda a prender a atenção do usuário no seu app. Não falo para sair tocando uma playlist de músicas, mas pequenos áudios. Por exemplo, em um app de cronômetro, você pode tocar um bip quando o tempo termina.

Primeiramente, para obter arquivos de áudio gratuitos, eu recomendo o site freesound.org. Segundo, para poder salvar arquivos de áudio no seu app, você deve ter uma pasta raw dentro de res. Sim a mesma pasta res onde você tem as pastas de imagens e ícones. Crie uma pasta raw lá dentro, para guardar os seus MP3. Isso vai fazer com que eles sejam tratados assim como você trata suas imagens, por ids ao invés de caminhos, como no exemplo abaixo, onde carrego e  toco um arquivo chamado som.mp3 (a extensão é omitida, assim como nas imagens).

O primeiro parâmetro é o contexto (geralmente a activity atual) e o segundo é o raw resource (binário). O método create apenas carrega o mesmo para a memória, e pode ter seu resultado armazenado em uma variável, enquanto que o método start dá o play.

#2 – Como criar layouts landscape

Quando eu ainda trabalhava fazendo projetos de apps para empresas, uma das coisas que eu sempre tentava amarrar aos contratos era a variação de layout retrato-paisagem (portrait-landscape). Isso porque geralmente criamos o layout em uma posição e não damos muita bola para a posição contrária. Eu inclusive fixava a posição do app que queria através de configurações específicas, para garantir que o usuário não iria querer usar de outro jeito.

Nos casos em que não é possível definir isso com o cliente (ele realmente deseja que o app funcione em ambas posições) você pode fazê-lo criando landscape variations de seus layouts principais, que são arquivos de layout novos que serão carregados automaticamente pelo Android somente no caso do smartphone estar na posição landscape. Eles possuem o mesmo nome do layout original e os mesmos componentes de tela, apenas em posições e possivelmente com dimensões diferentes.

Para criar uma landscape variation é muito simples. Como o editor de layout aberto, no topo da janela de preview, junto ao botão de mudar a orientação do preview, você encontra a opção “Create Landscape Variation” que cria a variação para você, como abaixo.

Landscape Variation
Landscape Variation

Assim, basta que você trabalhe o posicionamento e dimensionamento dos mesmos elementos da versão portrait para este layout landscape e não há nada com o que se preocupar.

#3 – Como suportar múltiplos idiomas no app

Esse foi um dos primeiros detalhes profissionais que aprendi a colocar em apps, principalmente aqueles que deveriam servir a um público global. Muito mais fácil do que em outra plataformas, no Android basta definir os textos em arquivos XML, um para cada idioma, e nas suas interfaces usar as chaves destes textos no lugar dos literais que o Android troca automaticamente os textos conforme o idioma do dispositivo.

Eu explico este processo em detalhes e com ilustrações neste post.

#4 – Como ter um ícone matador

Cansado de todos seus apps Android possuírem o mesmo ícone default?

Aqui existem duas abordagens para ícones diferentes: uma delas é você usar ou compor o seu ícone a partir de ícones free já existentes na Internet, em sites como findicons.com e iconfinder.com.

Já a outra alternativa é terceirizar para estrangeiros fazerem o ícone para você, usando sites como freelancer.com e fiverr.com. Neste último, o seu ícone deve sair por cerca de U$5, oque é uma bagatela para ter um ícone feito por um profissional. É o mesmo processo que uso para as capas dos meus ebooks.

Depois que tiver seu ícone novo, use estas instruções para trocar o ícone default.

#5 – Como criar datas humanizadas

Existem diversos formatos de datas disponíveis no mercado. Enquanto que uns são bons a nível de sistema, como o ISO-8601, eles são péssimos para exibição aos usuários. Outros formatos confundem os usuários, como o americano vs brasileiro, onde o mês muda de lugar.

Para evitar estes problemas e até mesmo deixar o app mais amigável, existem as datas humanizadas relativas, como “ontem”, “há 15 minutos atrás” ou “dois dias atrás”. E quem pensa que é difícil fazer isso, está redondamente enganado uma vez que o Android possui suporte nativo (e em múltiplos idiomas) à esta feature, como mostra o exemplo abaixo.

A classe DateUtils possui diversas funções helper, sendo a getRelativeTimeSpanString a que nos interessa para criar datas relativas humanizadas em Android. O primeiro parâmetro é a data original do registro (01/12/2017, por exemplo, mas em um objeto java.util.Date). O segundo parâmetro é a data de comparação (new Date() pega a data atual, 02/12/2017, quando escrevo este post). E por fim, o terceiro parâmetro é o timespan de referência para comparação, que aqui considera milissegundos, para exibir mensagens como “1 minuto atrás”. Caso minutos não lhe interessem, você pode usar outras constantes como HOUR, WEEK, MINUTE, etc.

O resultado é transformado em uma string que, usando as datas de exemplo que sugeri, retornará “1 dia atrás”.

#6 – Como criar layouts responsivos

Assim como no caso das variações de landscape que citei na dica 2, quando fazia projetos de apps para empresas eu sempre tentava amarrar as resoluções mínimas e máximas dos dispositivos para os quais eu estava projetando o app. No caso específico de empresas, geralmente eles compravam um lote de smartphones iguais e eu projetava exatamente para a resolução daqueles smartphpones.

No entanto, quando o app é para o público das lojas, isso fica muito mais difícil. Sendo assim, você deve se preocupar com coisas como a diferença entre px e dp e em usar layout managers mais adaptáveis como o Constraint Layout. Use os posts citados para entender mais sobre ambas configurações e conseguir construir apps com layouts mais responsivos.

#7 – Como acessar bancos de dados remotos em Android

Esta é sem sombra de dúvida a dúvida mais comum e o tutorial mais buscado dentre todos os leitores do meu blog e de muitos usuários do StackOverflow. Afinal, dificilmente um app moderno é uma ilha que não se conecta há mais nada, e na maioria das vezes o alvo das conexões dos apps são bases de dados já existentes, alimentadas até mesmo por outros sistemas.

Mas como acessar bancos de dados remotos em Android? Bom, não vou entrar em detalhes aqui do porque não é possível a um app Android se conectar diretamente a um banco de dados, mas saiba que você deve fazê-lo sempre através de APIs. Aqui no blog eu ensino duas maneiras de acessar APIs: o jeito nativo e o jeito usando uma lib muito famosa, a Retrofit.

Siga os referidos links para aprender da maneira que mais lhe agradar.

#8 – Como criar listas personalizadas em android

Então você está cansado daquelas listviews caretas e sem qualquer estilo? Saiba que você pode criar listas com a aparência que você quiser, tanto usando componentes antigos quanto novos em Android e listas elaboradas são a base de apps que precisam exibir diversos itens.

Tem dois tutoriais aqui no blog que lhe ensinam a criar listas matadoras, um deles usando ListViews (jeito antigo e nativo) e outro usando RecyclerView (jeito mais moderno, como uma lib da Google). São jeitos relativamente parecidos, mas guardam suas diferenças e recomendo dar uma olhada em ambos links. Na minha opinião, se for para fazer listas simples, vou de ListView, se for listas elaboradas e personalizadas, vou de RecyclerView, principalmente por questões de performance.

E aí, o que achou da dica de hoje? Tem alguma dica para compartilhar? Deixe nos comentários!

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Criando apps para empresas com Android

Como diminuir o tamanho do apk Android: 3 dicas incríveis!

O post de hoje foi pesquisado e escrito por mim, mas com as técnicas descobertas e aplicadas pelo meu colega de serviço Cleber Henriques, líder técnico de Android no Banco Agiplan. Com essas técnicas ele conseguiu reduzir o tamanho do nosso apk em torno de 50% usando as técnicas abaixo descritas.

Tem pouco mais de um mês que estou trabalhando no Banco Agiplan. Somos um banco com um foco muito grande no mobile banking, uma vez que não possuímos agências físicas, sendo puramente um banco digital. Como um banco de varejo com um grande foco nas classes C e D, temos muitos correntistas com smartphones extremamente simples, sem grandes recursos e isso inclui armazenamento interno, que concorremos com o espaço consumido pelo Whatsapp, jogos e é claro, o Facebook, o devorador de armazenamento!

Conseguir gerar um apk pequeno, que não consuma muitos recursos do smartphone do nosso cliente, é uma garantia que teremos de que a) ele vai conseguir baixar o app rapidamente, talvez até com 3G e b) ele não vai desinstalar nosso app caso fique sem espaço no smartphone. Ele vai desinstalar apps que realmente ocupem um espaço grande.

Se o app que você trabalha também possui um público semelhante, usar as dicas abaixo podem ajudá-lo enormemente. Obviamente o ganho com estas técnicas pode variar para mais ou para menos, dependendo dos assets que você possui e que serão otimizados.

#1 – Otimize suas imagens com o ImageOptim

ImageOptim
ImageOptim

Na maior parte das vezes, o “inchaço” dos apps é devido à grande quantidade de imagens necessárias para se construir um app bonito e com boa usabilidade. Claro que isso não é uma regra, mas é o que geralmente acontece.

Assim como na web, focar seus esforços de otimização nas imagens é atacar 20% do app que geram 80% do tamanho de seu app, como no bom e velho princípio de Pareto.

Comece usando o ImageOptim, uma aplicação gratuita e de código aberto disponível para várias plataformas que diminui o tamanho de imagens JPG, PNG e GIF sem perda de qualidade usando diversas técnicas e aplicações diferentes (AdvPNG, AdvanceCOMP, OptiPNG, Pngcrush, JpegOptim, jpegtran, Gifsicle e PNGOUT).

Não tem bruxaria aqui, apenas matemática. Através do descarte de informações “inúteis” para o app como comentários e perfis de cor, consegue-se reduzir de 20-60% do tamanho original de imagens não otimizadas. Para quem já usou o recurso “Save for the Web” do Photoshop, sabe que os ganhos são bem expressivos, pois a mecânica aqui é a mesma.

O uso é muito simples: você apenas arrasta as imagens para dentro da janela do software e elas são otimizadas.

#2 – Converta suas imagens para WebP

Imagens que não possuam transparência podem ser convertidas para o formato WebP, que é um formato de imagem criado pelo Google que fornece imagens extremamente comprimidas sem perdas de qualidade aparente (assim como JPG), em um algoritmo de compressão muito superior ao JPG tradicional. Imagens WebP são suportadas a partir do Android 4.0 (API 14) sendo possível usar este formato para imagens com transparência se definir o SDK mínimo do seu projeto como 4.3 (API 18).

O Android Studio pode converter PNG, JPG, BMP ou imagens GIF estáticas para o formato WebP. Você pode converter imagens individuais ou pastas de imagens. Para converter uma imagem ou pasta de imagens, faça o seguinte:

  • Clique com o botão direito do mouse em uma imagem ou pasta de imagens, e então escolha a opção “Convert to WebP”.
  • A janela “Converting Images to WebP” vai se abrir, sendo que as configurações default dependem do SDK mínimo que estiver usando no app:
WebP Convert Image
WebP Convert Image
  • Selecione tanto lossy quanto lossless, sendo que lossless (sem perdas de qualidade) está disponível apenas com SDK mínimo 18+. Se você selecionar lossy (com perdas), defina a qualidade da codificação e se deseja ou não ver um preview da imagem convertida antes de salvar.
    Você também pode escolher pular a conversão de quaisquer imagens cuja versão final fique com tamanho maior da versão original, ou ainda imagens com transparência. Uma vez que o Android Studio somente permite criar imagens WebP transparentes se seu SDK mínimo for 18+, o checkbox “Skip images with transparency/alpha channel”é automaticamente selecionado se seu SDK mínimo for menor de 18.
  • Click OK para iniciar a conversão.  Se você está convertendo mais de uma imagem, a conversão é um passo único que não pode ser desfeito, tenha isso em mente.
    Se você selecionou a conversão lossless, a mesma acontecerá imediatamente. Suas imagens serão convertidas no lugar das originais. Se você selecionou lossy, continue lendo os passos abaixo.
  • Se você selecionou lossy, e escolheu ver o preview de cada imagem convertida antes de salvar, o Android Studio vai lhe mostrar cada imagem durante a conversão para que você inspecione o resultado. Caso contrário, ele fará a compressão de todas imagens automaticamente. Durante a etapa de preview, você pode ajustar a configuração de qualidade de cada imagem, como abaixo.
Qualidade da conversão
Qualidade da conversão

Na esquerda temos a imagem original, e na direita a comprimida, exibindo o tamanho dos arquivos (note um ganho de 68% nesse exemplo). Ajustando o slider você vê em tempo real as mudanças na imagem comprimida, sendo que na área central aparecem os pixels diferentes nelas.

#3 – Exporte seu apk por densidade de tela

Por padrão, o Android trabalha com as imagens para diferentes resoluções de tela tendo diferentes versões de cada imagem, certo? Isso é feito na pasta drawables, onde temos subpastas para densidades de tela como ldp, mdpi, hdpi, etc, conforme aumentam o tamanho e densidade das telas. Não é raro ter três versões de cada imagem o que, mesmo otimizadas, consome um grande espaço dentro do seu app.

Não seria muito legal se o seu app tivesse somente as imagens necessárias para o “tipo” de dispositivo no qual ele está sendo instalado? Assim, quem tem um Android low-end teria apenas pequenas imagens, enquanto que os usuários felizes de Androids high-end teriam apenas as imagens grandes.

Isso é possível de ser feito, usando o próprio Android Studio, mais especificamente usando o Gradle adequadamente. O Gradle é tão poderoso e versátil que não permite apenas criar apps com imagens diferentes, mas com código diferente também (usando ABI – Application Binary Interface)! Além disso, embora eu esteja mencionando aqui o recurso de exportar vários apks baseados em densidade de tela, você exportar vários apks baseado em variáveis de build também (mas isso fica para outro tutorial).

Para configurar seu build para múltiplos apks, adicione um bloco ‘splits’ no seu arquivo build.gradle a nível de módulo. Dentro do bloco ‘splits’, forneça um bloco ‘density’ que especifique como o Gradle deve gerar APKs por densidade. No seu bloco density, forneça uma lista de densidades de tela desejadas e tamanhos de tela compatíveis.

A lista de tamanhos de tela compatíveis deve somente ser usada se você precisa de elementos <compatible-screens> no manifesto de cada APK.

As opções seguintes do Gradle são usadas para configurar múltiplos APKs baseados em densidade de tela:

  • enable: se true, Gradle gera múltiplos APKs baseados nas densidades de tela que você definir. O valor default é false.
  • exclude/include: uma lista de densidades separadas por vírgula que o Gradle deve ignorar ou adicionar na geração de múltiplos APKs (serve para excluir as densidades que seu app não suporta).
  • reset(): limpa a lista default de densidades de tela. Use somente em conjunto com o elemento include. O exemplo a seguir define a lista de densidades para somente ldpi e xxhdpi chamando reset() para limpar a lista e depois usando include.

  • compatibleScreens: especifica uma lista de tamanhos de tela compatíveis separados por vírgula, injetando nós <compatible-screens> no manifesto de cada APK. Esta configuração fornece um jeito conveniente de gerenciar tanto densidade de tela quanto tamanho na mesma seção. Entretanto, tenha em mente que usar <compatible-screens> pode limitar os tipos de dispositivos nos quais o seu app irá funcionar.

Para garantir o máximo de compatibilidade, o Gradle sempre irá gerar um APK universal, mais “inchado”, que contém todos os recursos, independente de densidade, que servirá de fallback para os dispositivos que não se encaixem nos padrões estabelecidos. Esta versão universal deve ser publicada juntamente com as demais.

O exemplo seguinte gera um APK separado para cada densidade listada, exceto ldpi, xxhdpi, e xxxhdpi. Isto é feito usando exclude para remover três densidades da lista default.

Para mais detalhes de como distribuir o seu app para tipos específicos de telas e dispositivos, consulte este artigo.

Uma vez que você configure o seu build.gradle a nível de módulo para compilar múltiplos APKs, clique em Build > Build APK para compilar todos os apks para o módulo selecionado no painel Project. Para mais informações, consulte a documentação oficial.

E aí, o que achou do artigo de hoje? Conseguiu alguma economia no seu app? Coloque outras técnicas que você conhece nos comentários!

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Criando apps para empresas com Android

Tutorial app Android com Firebase – Analytics e Crashes

Recentemente iniciei uma série de artigos sobre a plataforma Firebase para Android e hoje trago mais um, desta vez falando sobre a API de Analytics e de Crash Reporting deles.

Para quem não está acostumado com o termo, analytics é basicamente o registro e análise de dados dos seus usuários durante o uso de seu software. Ter uma boa ferramenta de analytics é essencial para entender o seu público e conseguir engajá-lo cada vez mais. Um público engajado tende a realizar comportamentos que você deseja como adquirir seus produtos, fazer upgrades ou até mesmo recomendar seu software/app para amigos.

Já Crash Reporting é o ato de registrar todos os ‘crashes’ do seu app nos dispositivos dos usuários, para entender o que está acontecendo e poder tomar providências para corrigir estas falhas. Sabe quando dá aquela mensagem de “O app parou!”? Pois é, o Crash Reporting te ajuda a descobrir que está acontecendo isso com seus usuários e dá muitas pistas da causa desses crashes.

Pré-requisitos

Este tutorial exige que você tenha um projeto Android criado e funcionando no Android Studio. Minha sugestão é que você realize o primeiro artigo da série, onde criei um app que tem apenas uma tela de login e permite o cadastro de usuários para posterior autenticação. Ele não faz nada demais ainda, mas já nos permitirá analisar o comportamento dos usuários que, por enquanto, sou apenas eu. 😀

Outro ponto importante de ler o artigo introdutório desta série é entender o que é a plataforma Firebase, como criar uma conta gratuita e como funciona o modus operandi dela.

Embora alguns possam acreditar que colocar coleta de dados nesta fase do desenvolvimento é inútil, eu discordo. Quanto antes você começar a coletar dados dos seus usuários melhor, e colocando nessa etapa do desenvolvimento você evita se esquecer, já cria o hábito de coletar dados e terá um histórico completo assim que tiver tempo para analisar o resultado do seu trabalho duro.

Vamos ver:

  1. Firebase Analytics
  2. Capturando eventos
  3. Analisando os dados
  4. Firebase Crash Reporting

#1 – Firebase Analytics

Existem diversas plataformas para coleta e análise de dados analíticos, como o Mixpanel, que eu já usei e excelente, mas hoje usaremos o Google Firebase. É importante que você já tenha uma conta criada no Firebase Console e um projeto ativo, que no meu caso é o ForcaVendas.

Firebase Console
Firebase Console

Agora abra o seu projeto de app no Android Studio e no meu Tools > Firebase, você abrirá o Firebase Assistant, com todas as opções de APIs que ele possui.

Selecione a opção Analytics e você deverá ver a tela abaixo:

Firebase Analytics
Firebase Analytics

No meu caso o passo 1 está marcado como “Connected” pois eu já me conectei na minha conta do Firebase no primeiro artigos desta série. Caso o seu tenha um botão para conectar no lugar, você terá de fazer todo um passo-a-passo que é bem simples, porém necessário.

Como eu já possuo uma conta no Firebase, vou partir para o passo 2, clicando no botão “Add Analytics to your app”, que abrirá um popup pedindo para aceitar algumas dependências novas no projeto. Tudo muito rápido e simples.

Uma vez com as dependências instaladas, é muito simples sair usando a ferramenta de Analytics no Firebase para capturar eventos dos usuários no seu app, que é o que faremos agora!

#2 – Capturando eventos

Você pode capturar todo tipo de ação do usuário no seu app para entender o comportamento dele. Muitas vezes é função do desenvolvedor apenas coletar os dados e cabe a um profissional de marketing digital, de UX, ou ambos, analisá-los, para propor mudanças no app visando melhorar a experiência do usuário como um todo. Geralmente são usadas ferramentas de marketing chamadas “funis de conversão”, que servem para analisar o fluxo de ações que os usuários realizam até comprarem seu produto ou executarem uma ação que você deseja muito.

Como nosso app até o momento possui poucas funcionalidades, podemos pensar em um funil de conversão bem simples: de todos os usuários que entram no app, quantos decidem se cadastrar e quantos de fato conseguem se cadastrar? Aqui considerarei usuários anônimos como o topo do meu funil (a boca, maior parte), usuários que clicam no botão Registrar como meio do meu funil (anônimos com intenção de cadastro) e novos cadastros realizados como a base do meu funil (a menor parte).

O objetivo do funil é medir as conversões, sendo usuários anônimos que viram novos cadastros a definição de ‘conversão’ neste caso. Sendo assim, precisamos coletar dados de 3 momentos distintos.

Primeiro, para permitir que o Firebase Analytics passe a funcionar no seu app, vamos começar adicionando a seguinte variável no topo da Activity que vamos coletar dados, neste caso a LoginActivity:

Depois, no evento onCreate desta mesma Activity, vamos inicializar o nosso objeto mFirebaseAnalytics:

As visualizações e transições de tela são automaticamente rastreadas pelo Firebase Analytics, então não há nada que precisamos fazer em relação ao screenview da tela de login por usuários anônimos.

No entanto, precisamos saber quando houve o clique no botão “Registrar”. Para capturar este clique, vamos na LoginActivity, bem no trecho de código que efetua o onClick, para adicionar o código de rastreamento:

O objeto Bundle permite que a gente adicione propriedades a este ‘evento’, mas aqui decidi por apenas registrar o evento em si como o nome ‘RegistrarClick’. Essa linha de código é interessante de ser colocada em todos os botões que você julga importantes no seu app, para entender se os usuários estão utilizando-os. Quando você detecta que botões importantes (como o botão de fazer Upgrade) não estão sendo utilizados, é hora de repensar o local onde estão, a cor e forma que possuem ou o texto contido neles. Somente com dados analíticos e vários testes é que é possível tirar essas conclusões.

Mas depois do usuário clicar no botão de Registrar eu quero coletar o evento se de fato ele conseguiu realizar o cadastro. Isso porque podem haver erros no cadastro como campos faltantes ou senha muito fraca que impedem o visitante anônimo de converter em usuário identificado. Para mapear este segundo evento,  basta modificarmos o método attemptLoginOrRegister da LoginActivity, mais especificamente o ‘if(isNewUser)’:

Com isso, temos todos os dados que precisamos para entender se os usuários anônimos, após manifestarem seu interesse em se cadastrar, estão conseguindo de fato. Note que armazenei dois eventos diferentes aqui: o de sucesso no registro (salvando o email do usuário que recém se cadastrou) e outro de falha, armazenando o email e senha, para entendermos porque o Firebase não permitiu esse cadastro.

Por que ele rejeitaria um cadastro? Existem diversas políticas e validações envolvidas que o Google Firebase pode fazer em cima de suas tentativas de cadastro como força de senha, formato de email, etc.

Agora teste o seu app e brinque um pouco com ele para gerar um pouco de dados para uma análise posterior.

#3 – Analisando os dados

Agora que temos eventos registrados e dados coletados, vá até o Firebase Console, acesse seu projeto e depois selecione a opção Analytics no menu lateral esquerdo. É importante ressaltar que os dados não são exibidos real-time aqui e é possível que demore a serem exibidos, até 1 dia, então não se preocupe.

Analytics Dashboard
Analytics Dashboard

Uma vez que os dados já estejam disponíveis para visualização, você pode criar filtros, acompanhar conversões, analisar cohorts, tempo de visita em cada tela, além de muitos dados demográficos, tais como:

  • porcentagem de usuários por versões do Android;
  • porcentagem de usuários por aparelho;
  • sexo dos usuários;
  • localização geográfica dos usuários;
  • idade;
  • categorias de interesse;

E isso só citando as informações que aparecem no dashboard, existe muito mais coisas interessantes para se explorar nesse ferramenta de analytics. Quem já conhece o Google Analytics, que é a ferramenta mais usada na web para acompanhar os dados analíticos de websites e sistemas web vai se sentir em casa aqui.

#4 – Firebase Crash Reporting

Além dos eventos que queremos coletar para entender o comportamento dos nossos usuários, é importantíssimo saber quando o app pára de funcionar no dispositivos deles, visando entender as limitações que podem estar prejudicando a experiência, as falhas que você pode ter deixado para trás sem querer ou até mesmo como está a qualidade geral do seu app.

Para ativar o Crash Reporting do Firebase é muito simples. No Android Studio, vá no menu Tools > Firebase e o Firebase Assistant se abrirá. Escolha a opção Crash Reporting.

Firebase Crash Reporting
Firebase Crash Reporting

Minha conta do Firebase já está conectada e, à essa “altura do campeonato”, você já deve saber como criar a sua caso ainda não tenha feito. Clique no botão “Add Crash Reporting to your app” e aceite a instalação das dependências necessárias.

O recurso de Crash Reporting funciona automaticamente para exceções não tratadas e você pode manualmente registrar exceções tratadas, se assim desejar, para entender o comportamento do usuário ou as exceções mais disparadas, para tomar medidas quanto a isso.

Enviar exceções manualmente para o Crash Report é simples como a linha abaixo demonstra, onde ex é o objeto de exceção capturado:

Para poder ver um crash facilmente no Firebase Console, experimente rodar o seu app e antes de realizar um login ou cadastro, desligue sua Internet para que não seja possível se comunicar com a nuvem do Google Firebase, certamente seu app vai quebrar e um crash será registrado no Firebase Console, não instantaneamente, mas em breve.

Crash
Crash

Caso esteja tendo problemas para rastrear seus crashes em produção, é sugerido dar uma lida nesta página aqui.

O Google está migrando sua ferramenta de análise de crashespara o Crashlytics, uma plataforma focada nesse tipo de serviço, então no futuro talvez seja mais interessante para você deixar de usar os relatórios de crashes do Firebase e passar a usar esta outra ferramenta.

Espero que tenha gostado do artigo, e  até a próxima!

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