Conheça o Empreendedorismo Digital

Na data em que escrevo este post, eu estou trabalhando há 11 anos com tecnologia. De todo este tempo, faz 7 anos que decidi me tornar também, além de profissional, empreendedor. E desde 2013 decidi que iria incentivar cada vez mais pessoas a seguirem esse mesmo caminho do empreendedorismo.

Eu realmente acredito que somente pessoas empreendedoras podem fazer a diferença no mundo, nas empresas, na vida de todos nós. Somente pessoas empreendedoras podem nos tirar dessa crise mundial (e principalmente nacional) e como eu não tive essa oportunidade de conhecer o empreendedorismo mais cedo, quero dar essa oportunidade aos estudantes de agora, pensando no futuro de todos nós.

“Mas como assim, pessoas empreendedoras? Eu não quero ter uma empresa ou coisa do tipo.”

Empreender não tem nada a ver com se tornar um empresário. Ou ao menos um não te obriga a ser o outro. Segundo o dicionário, empreender é decidir realizar tarefa difícil ou trabalhosa, tentar, pôr em execução. Um empreendedor não é aquele que fala, é aquele que faz. É o cara da ação, não da reação.

Vivemos em um mundo em crise. Filas e filas de desempregados são vistas não só no Brasil, mas na Espanha, em diversos pontos da Europa e mesmo no grandioso EUA. Simplesmente não há emprego pra todo mundo. Ponto. As empresas não estão conseguindo crescer como gostariam. Consequentemente, não conseguem abrir tantas vagas quanto a população precisa. E esse ciclo vicioso destrói nossa economia e com elas nossas esperanças e aspirações de ter uma vida melhor.

Em grande parte, isso é devido à falta de empreendedores nas empresas. Ou ao menos de empresários empreendedores.

Steve Jobs e Steve Wozniak personificam bem o que falo sobre empreendedores não precisarem ser empresários. Jobs sim, queria ter uma empresa gigantesca e mudar o mundo. Wozniak não, apenas queria criar coisas maravilhosas com tecnologia. Ambos eram empreendedores, mas apenas Jobs, empresário.

E empreendedorismo é para todos!

O mais interessante do empreendedorismo, é que ele não exige uma idade específica. Desde Ray Kroc, que com mais de 50 anos fundou o McDonalds, até Robert Nay, que com 14 anos aprendeu programação com um livro da escola e criou seu primeiro app de sucesso que teve mais de 6 milhões de downloads.

Empreendedorismo não exige uma cor específica. Como Raiam Santos, brasileiro, negro, ex-morador do subúrbio do Rio de Janeiro que arriscou tudo e decidiu ir morar e estudar nos EUA, pagando seus estudos jogando Futebol Americano universitário. Hoje, um escritor bem sucedido com vários livros best-sellers na Amazon.

Empreendedorismo não exige que você more em um país desenvolvido, como provou o chinês Jack Ma, fundador do grupo Alibaba.com, bilionário e que foi rejeitado 11x por Harvard e que até mesmo não passou em entrevistas de emprego para redes de fast-food.

Mas se você quer ganhar dinheiro empreendendo para si mesmo, nada é mais democrático do que o empreendedorismo digital, geralmente relacionados a Lifestyle Business.

Mas por que empreender digitalmente?

O empreendedorismo digital não exige que você tenha um alto custo inicial com um ponto comercial, com mobília ou fachada. Jeff Walker fez milhões de dólares vendendo assinaturas de uma newsletter de investimento (talvez o precursor da Empiricus), uma operação completa e lucrativa operada a partir de sua casa e seu laptop.

Empreendedorismo digital não exige que você vá ao escritório todos os dias, ou sequer que tenha um escritório, que tenha uma localização específica, como prova Marcus Lucas, que há anos mora fora do Brasil, na Tailândia, ensinando empreendedorismo e marketing digital para outros que anseiam por serem nômades digitais.

O empreendedorismo digital não tem fronteiras, afinal, se você vende pela Internet, o seu mercado é o mundo, como provou Mark Zuckerberg e seu Facebook ou ainda Melyssa Griffin e seus cursos de marketing nas redes sociais que ela leciona para milhares de pessoas em todos os cantos do mundo, e que ela começou quando ainda morava em Tóquio.

Nenhum tipo de negócio é mais democrático do que empreender digitalmente.

“Mas que tipo de negócio digital que eu posso criar?”

Geralmente o mais óbvio é vender os seus serviços online. Se você sabe desenhar, suba seu portfólio para o Fiverr.com e receba em dólares por suas ilustrações, montagens, etc. Se você sabe programar, cadastre-se no Freelancer.com para receber propostas de freelas.  Qualquer coisa que você saiba fazer, pod ter alguma pessoa interessada em contratar, e o custo de começar um negócio digital desse tipo é zero. Você só precisa ter coragem.

Alguns empreendedores inclusive transcendem esse modelo. Ao invés de venderem os seus serviços, eles revendem o serviço de terceiros, como Chad Mureta, que possui dezenas de apps publicados que já lhe renderam milhões de dólares, mas que ele não desenvolveu nenhum. Ele é um cara que tem boas ideias e que paga para outros desenvolvedores colocarem elas em prática pra ele.

Outro negócio digital que dá muito dinheiro na Internet é o ensino online. E não estou falando de colocar vídeos no Youtube ensinando alguma coisa de graça, em troca de centavos a cada mil visualizações do seu vídeo. Isso só vai te dar dinheiro se você tiver legiões de seguidores. Falo de plataformas como Udemy, onde você coloca o seu curso à venda e fica com metade do valor das vendas. É o que fez Jamilton Damasceno, que já largou do seu cargo de Analista de Sistemas e hoje se dedica integralmente à ensinar online sobre como desenvolver apps Android.

Se você gosta de escrever, ebooks são a melhor opção de negócio digital pra você. Você escreve um livro sobre o que você quiser, com quantas páginas você achar necessário, decide o preço que quiser ganhar e cadastra seu livro gratuitamente na Amazon, usando o Kindle Direct Publishing e em 24h tem o seu livro sendo vendido no mundo inteiro, digitalmente. Eu estou engatinhando ainda no mercado de ebooks, mas mestres como Eldes Saullovivem hoje inteiramente dos mesmos.

Ainda para os que curtem escrever, criar um blog (assim como esse), pode ser uma excelente opção. Escolha um tema, escreva sobre ele, divulgue o blog nas redes sociais e em breve você terá uma audiência consumindo seus materiais. Uma vez que tenha uma audiência consistente, existem boas maneiras de lucrar com ela. E não precisa ser um tema muito profundo não, blogs de bobagem como o Não Salvo do Cid faturam muita, mas muita grana, com futilidades.

Agora, se você tem uma pegada mais comercial, vender online pode ser o melhor negócio para você. E não falo de vender as suas coisas no OLX e Mercado Livre. Falo de vender produtos mesmo, principalmente os importados da China que possuem custo baixíssimo, usando técnicas de dropshipping e plataformas como o Alibaba.com. Ainda dentro de vendas online, estão extremamente na moda as subscription boxes, caixas temáticas que você paga uma mensalidade pra receber em casa todos os meses. A Glossy Biju funciona assim por exemplo, bem como a Wine, a Clube do Malte e tantas outras.

Já para os leitores que gostam de falar, ter um podcast é melhor do que ter um blog. Os podcasts são hoje o que as rádios foram no passado. Pessoas de todas as idades consomem conteúdo em áudio sobre seus temas favoritos, sejam eles quais forem, e plataformas como a SoundCloud te permitem divulgar seu podcast fácil e rapidamente. E uma vez que você tenha uma grande audiência, você pode arranjar patrocinadores, vender outros produtos, etc. O Tim Ferriss é o maior mestre nisso (além de autor de livros interessantíssimos), com seu podcast The Tim Ferriss Show ouvido por milhões de pessoas e que cuja cota de  patrocínio custa U$50 mil dólares por episódio.

E por fim, talvez o que tenha mais potencial, mas que seja mais difícil de criar, são os softwares e apps úteis, que ajudem as pessoas. Eu criei o Busca Acelerada, um site que ajuda as pessoas a encontrarem as melhores ofertas de veículos da Internet. Já o Lim Ding Wen, malasiano de 9 anos, criou o Doodle Kids, um app para crianças desenharem com o dedo no smartphone que teve mais de 200 mil downloads. Sensacionais, úteis e lucrativos!

Conclusões

Por hoje é isso, queria deixar em você essa vontade de saber mais e principalmente, a vontade de empreender. Conheça meus outros posts da categoria Empreendedorismo e deixe seu comentário aí embaixo.

Gostou das referências de empreendedores? Mais detalhes sobre essas fantásticas pessoas no post 6 Empreendedores Lifestyle para se inspirar.

Este texto é um transcript da palestra sobre Empreendedorismo Digital cujos slides estão abaixo:

Como inovar?

Inovação é um tópico constante (e importante) entre as empresas de tecnologia em geral. Não apenas na tecnologia, mas inovar em diversos setores é importantíssimo em um mundo globalizado e competitivo como o nosso, se quisermos nos manter no mercado. Como empreendedor, inovar pra mim significa trabalhar de maneira inteligente para obter resultados acima da média com menos esforço.

Mas antes de falar sobre como inovar, o que seria inovação, exatamente?

Tipos de Inovação

Muitos estudiosos separam inovação em duas categorias distintas: inovação evolutiva e inovação disruptiva.

japan-innovation

Inovação evolutiva é o carro-chefe dos japoneses. Pegar algo que já existe e deixar ele melhor, mais rápido, menor, mais barato, etc. Evoluir sobre produtos já existentes, melhorando a experiência geral com o produto. Este é o tipo de inovação “mais fácil”, pois constrói-se em cima do que já existe. É o que vemos em nossos smartphones, ano após ano, em nossos computadores, carros, etc.

Inovação disruptiva era o carro-chefe do falecido Steve Jobs e de muitas startups do Vale do Silício. É criar algo inteiramente novo ou com um conceito completamente diferente do que as pessoas estão acostumadas.

Não é criar um computador um pouco mais rápido que os antecessores, mas sim criar um notebook que pode ser guardado em um envelope ou ser passado por baixo da porta.

Não é criar um app para chamar táxi (o que seria uma evolução dos disk-táxi convencionais), mas sim um ecossistema de motoristas autônomos mundial.

Não é criar mais um site de reserva de hotéis, mas sim um marketplace onde qualquer pessoa do mundo pode alugar e pôr imóveis para alugar.

A disrupção é o que chama a atenção de verdade. É o mais arriscado de se buscar, mas que quando dá certo, é o que “dá mais certo”.

Os grandes inventores e empreendedores que todos lembramos são aqueles que inovaram pra valer, e não apenas colocaram um botão a menos ou a mais em algum produto.

Jobs inovou no PC quando todos acreditavam que computadores eram coisa pra empresas. Gates inovou no software quando todos achavam que o hardware é que era importante. Einstein inovou na física e na nossa própria concepção de realidade em meio ao tumulto das guerras, quando todos queriam apenas armas mais eficientes.

Note que existe uma linha tênue entre o que é evolutivo e o que é disruptivo. Muitas vezes a disrupção vem ao evoluirmos um produto de maneira tão brusca e impactante, que causa esse efeito “uau” de inovação que os produtos da Apple tinham no passado. Geralmente associamos este passo da inovação para a disrupção através da regra das 10x, citada por vários autores entre eles Grant Cardone.

A regra dos 10x

Essa regra diz que se você quiser ser realmente inovador (indo mais pra linha da disrupção) você deve ser 10x melhor que a concorrência.

Quando Jeff Bezos abriu a Amazon, ele não saiu do modelo de livraria tradicional com 10.000 títulos para uma livraria digital com 10.000 títulos. Ele partiu logo para 100.000 títulos. 10x mais.

Quando o Google entrou no mercado de busca ele não tinha “um pouco mais sites” que o Altavista em seu índice, ou seu algoritmo era x % melhor. Ele entrou indexando a web inteira, investindo pesado em processamento pra que os resultados realmente fossem relevantes.

Mas como inovar?

Grande parte das inovações bem sucedidas vem da resolução de problemas ou necessidades do dia-a-dia.

No mundo das startups chamamos isso de “coçar a própria coceira”. Você tem um problema, verifica se outras pessoas possuem o mesmo problema e decide resolvê-lo, sendo que em dado momento monetiza essa resolução e ganha dinheiro com isso. Essa é a receita básica da metodologia Lean Startup.

Muitas pessoas tem dificuldade de aplicar essa “receita”. Isso porque a maioria das ideias surgem quando estamos em modo de “tempo consciente”.

Tempo Consciente

Tempo consciente é um conceito que diz que no dia-a-dia fazemos muitas coisas no modo automático. Acordamos, vamos ao trabalho, vemos TV, lemos emails, etc. Tudo de maneira pouco crítica e quase sem perceber as nuances de tudo que está acontecendo.

Estar em seu tempo consciente é praticamente ver a situação em “terceira pessoa”, muitas vezes enxergando a si mesmo executando suas tarefas cotidianas. Esse exercício mental permite racionar com mais clareza sobre as falhas nos processos e produtos do dia-a-dia. É quase como olhar alguém usando seu software para ver como ele usa cada tela ou quais ele não entende. Só que consigo mesmo.

Uma dica de exercício: sempre que reclamar de algum produto ou serviço, seja físico ou digital, pare e pense como isso poderia ser resolvido. Qual seria a versão “correta” para aquele produto ou serviço? Obviamente você não vai querer resolver todos os problemas do mundo, mas este exercício de questionar a si mesmo como algo poderia ser melhor, é o caminho para se chegar nas boas ideias.

Claro, a maioria das ideias que virão à tona dessa análise em modo consciente serão ideia evolutivas em relação à coisas já existentes. Para partir daí para a disrupção é necessário ou aplicar a regra das 10x que citei antes, ou então não inovar na característica mais óbvia do problema, mas sim na essência do mesmo, que geralmente está atrelada aos desejos e anseios do usuário em relação ao produto ou serviço.

Como assim?

Quando usamos um produto ou serviço, nosso objetivo não é o produto ou serviço em si, mas sim o que ele vai nos proporcionar. Ninguém compra um smartphone pois quer andar com ele no bolso, mas sim poque quer se comunicar com seus amigos, quer tirar fotos em momentos de alegria, quer ouvir música em momentos entediantes e por aí vai.

O smartphone é o meio, não o fim, para diversos desejos e anseios que temos.

Vamos pegar o carro, que é outro exemplo bem conhecido.

Henry-ford-and-model-T

Na época em que Ford criou seu modelo T, o mais comum eram as pessoas andarem à cavalo ou em veículos de tração animal. A inovação mais óbvia, e provavelmente mais requisitada, eram cavalos mais rápidos, carroças que quebrassem menos, etc.

Mas ao invés de fazer a inovação mais óbvia, e evolutiva, Ford entendeu que as pessoas queriam se locomover. Que elas não gostavam dos cavalos e das carroças por sua mera existência, mas pela sua utilidade. Ele entendeu que o importante não a carroça e o cavalo, mas levar pessoas do ponto A ao B de maneira rápida e segura. Ele focou na criação do seu carro.

Outra inovação que parece tola mas que faz muito sentido foi a dos espelhos nos elevadores.

elevador

Há década atrás os elevadores não possuíam espelhos. Em prédios altos como os existentes nos EUA, subir do primeiro ao último andar de elevador leva mais de um minuto, o que é um tempo longo para quem está sem nada para fazer e que gerava muitas reclamações.

Qual era a inovação mais óbvia aqui?

Elevadores mais rápidos, é claro! Para isso teríamos que dimensionar novos motores, sistemas de emergência, mexer na engenharia como um todo.

O que se compreendeu foi que o real problema não era o elevador demorar 1 minuto para subir do primeiro ao último andar. Esse é um tempo razoável e que não causava problemas à ninguém. O problema real não era a velocidade, mas sim a falta do que fazer dentro do elevador durante esse tempo, o que angustiava as pessoas. Precisávamos dar algo pra elas fazerem.

Assim surgiu a ideia de pôr espelhos nos elevadores e mais tarde até televisores, principalmente em prédios comerciais, onde você vê notícias de economia e política, bem como cotações de moedas e ações enquanto sobe para a sua reunião importante ou para trabalhar.

Ok, televisores fazem sentido, mas espelhos?

Sim. A maioria das pessoas que reclamam da demora de um elevador é porque estão com pressa, geralmente atrasadas para uma reunião, trabalho, encontro, etc. Dificilmente você reclama de um elevador quando está se divertindo em um shopping, por exemplo. E quando você está atrasado para um compromisso, qual é a sua outra preocupação? Sua aparência.

Bingo!

Um espelho te dá algo para fazer enquanto aquele longo 1 minuto não passa e ainda te ajuda a verificar se está tudo bem com sua gravata, topete, dentes ou o que quer que esteja te preocupando.

Note que tanto o carro quanto o espelho no elevador não eram inovações óbvias. Foi necessário olhar o problema sob ângulos diferentes para entender o que realmente era o problema. No caso de Ford, foi a criação de um produto inteiramente novo. No caso do elevador com espelho, foi a melhoria do produto já existente, mas de uma maneira impensável à primeira vista.

Indo além

Não existe uma maneira “certa” de inovar e nem uma receita de bolo, embora existam livros como o Game Storming e Business Model Generation com dinâmicas que você pode realizar para gerar ideias inovadoras.

Técnicas como Jobs to be Done, brain storming e design thinking também são muito utilizadas nas empresas em busca da inovação.

Mas em linhas gerais, tenho certeza que as dicas que te passei podem lhe ajudar bastante a entender o processo de criação da inovação.

Até mais!

Como fazer $1000 por mês com um software web

Muitas pessoas me comentaram o quanto gostaram da adaptação que fiz do post do Noah Kagan sobre como construir negócios milionários. Pois bem, seguindo uma indicação do meu colega de serviço Cássio Bock, hoje trago outra adaptação, desta vez de um post do empreendedor Alex Moskovski, um programador russo que explica de maneira bem objetiva e prática como ele identificou uma oportunidade e a transformou em um software web (SaaS) que fatura U$1.000 por mês (aproximadamente o que o Busca Acelerada fatura).

Este tutorial (originalmente publicado em Inglês aqui) é sobre construir um pequeno e lucrativo software web (SaaS) a partir do zero e fazê-lo faturar U$1.000 por mês. Não tem nada a ver com startups unicórnios multibilionários, e é apenas a experiência de um empreendedor. É sobre um lifestyle business, uma renda extra útil, robusta que qualquer um pode ter. Outro aviso válido é que este serviço foi feito para o mercado russo, embora seja uma experiência genérica e que pode ser adotada como exemplo em qualquer país.

Tudo começou com o outro serviço web SaaS do Alex, chamado Postio, que ele construiu para tornar a vida das pessoas mais fácil ao gerenciar suas publicações nas redes sociais (tipo um Buffer russo). Como parte da estratégia de marketing, Alex havia pago para escreverem alguns artigos sobre vários assuntos e publicado no seu blog para atrair visitantes do seu público-alvo, visando tráfego extra vindo dos mecanismos de busca.

No entanto, subitamente Postio começou a receber bastante tráfego vindo do Google e Yandex (um Google russo) com palavras-chave que não tinham nada a ver com o Postio.

postio

Aqui é onde a história começa.

Veremos neste artigo:

  1. Identificando uma oportunidade
  2. Fazendo um MVP
  3. Validando a ideia
  4. Estimando o preço
  5. Evoluindo
  6. Marketing
  7. Conclusões

Identificando uma oportunidade

Claramente as pessoas estavam problemas reais com este tal ‘menu’. Uma rápida busca na Internet mostrou que vários donos de grupos no Vk.com (o Facebook russo) usa um menu gráfico fixado no topo dos grupos para redirecionar sua audiência para as partes mais importantes do grupo, como depoimentos, preços, pedidos, etc, como abaixo.

menu

Como você já deve ter notado, vários grupos em redes sociais eventualmente se tornam lojas, briques e classificados, como se fossem negócios virtuais, sem que o dono do grupo precise entender de programação. Essa questão do menu é um problema recorrente nestes pequenos negócios digitais que surgem no Vk.com.

Mas aqui vem a melhor parte: para fazer este menu, eles tem de criar a partir de um editor de imagem, recortá-la (fatiar) e montar com um linguagem de marcação parecido com a Wikiformat. Isto é algo impensável para os donos desses pequenos negócios e terceirizar o desenvolvimento saía na média de U$20 por menu.

O processo normal de criar um menu no VK.com é tipo isso:

  • Em um editor de imagem, criar uma imagem do menu e colocar alguns botões nele;
  • Recorte em partes separadas para que seja possível montá-las, com os botões se tornando links;
  • Faça upload de todas essas imagens para um álbum do grupo ou na conta do dono do mesmo;
  • Crie uma página-wiki no grupo e coloque uma marcação com as imagens e links;
  • Publique um post com um link para a página do menu no grupo;
  • Fixe-a para que sempre apareça no topo.

Dá um trabalhinho, certo? Vamos ver como podemos solucionar isso!

Fazendo um MVP

Primeiro, eu tinha de explorar o que podia ser feito com a API da rede social para determinar quais ações poderiam ser automatizadas e em que grau.

Notei que podia fazer tudo que queria com a API, com a exceção de fixar a postagem no grupo. Mas tudo era muita coisa para um MVP (Produto Mínimo Viável), então decidi fazer cortar estas features, visando fazer o mínimo para ver se as pessoas se interessavam e se eu já conhecia ganhar alguma grana:

  • Autenticação.
  • Personalização do menu. Ao invés disso, o usuário escolheria um template dentre os pré-definidos.
  • Processo de pagamento. Alex processava os pagamentos manualmente.
  • Criação automática da página-wiki do menu. O usuário faria isso sozinho, copiando e colando o código de marcação que o sistema de Alex iria gerar.
  • Publicação automática de postagem. Novamente, uma tarefa que o usuário faria.

Basicamente, o MVP de Alex seria um gerador de imagem e uploader. Após quase três dias de desenvolvimento, o software ficou desse jeito:

mvp

Sim, feio. Mas o bastante para testar se os usuários pagariam para utilizar esta solução.

O diálogo de criação de menu também ficou apenas um protótipo:

criar-menu

Alex comenta no post original que antigamente era um perfeccionista. Mas que hoje ele prefere ser alguém que produz, que foca em resultados.

Validando a ideia

Validar a ideia foi relativamente fácil uma vez que já existia algum tráfego existente. Alex apenas colocou alguns botões em alguns lugares específicos do blog para direcionar aqueles visitantes que queriam criar menus no Vk.com para seu novo produto.

Isto gerou o seguinte tráfego:

analytics

Mesmo sem olhar as vendas podemos perceber que havia grande interessa pelo serviço. Note que estas pessoas apenas tiveram acesso a uma landing page bem básica, com um template padrão, nada muito elaborado. Com estas visitas, Alex conseguiu estes números em suas métricas:

metricas

Não foi um sucesso incrível, mas funcionou, e os usuários queriam pagar por ele. Tiveram várias desistências de compra e menus não pagos (menus_created vs menus_paid). Mas afinal, era apenas um teste bem cru.

Como você pode ver pelas estatísticas, eu testei bastante o preço, mudando de U$6 para U$4 por menu, tentando tirar alguns insights disso. Depois que Alex soube que o produto era viável, era a hora de definir o preço final do produto, baseado nos dados obtidos nos testes.

Estimando o preço

Alex decidiu cobrar por menu criado, ao invés de cobrar uma mensalidade como a maioria dos SaaS fazem. As APIs de redes sociais são geralmente muito instáveis, estão sempre mudando, o que tornaria desastroso cobrar uma mensalidade por um serviço que estaria sempre mudando, Alex teria de devolver mensalidades toda hora por causa das constantes mudanças e manutenção que atrapalhariam uma experiência mensal.

Para definir o preço Alex fez testes A/B para descobrir qual preço dava mais resultado. Basicamente ele definia um preço aleatório para cada usuário que assinava e então rastreava as ações daquele usuário. A tabela a seguir mostra o resultado destes testes (incluindo algumas cobranças diferentes, baseado em features diferentes, compra com 1 clique, etc) após um mês:

tabela

O que dizer desses números?

  • U$1, U$2 e U$3 para criação de menu, com U$0.5 por atualização de menu foram os melhores preços;
  • U$1 teve o dobro de criação de menus do que U$2 e três vezes mais do que U$3;
  • A combinação U$1 / U$0.5 é a mais lucrativa em termos de ARPU (Receita Média por Usuário).

Mesmo que o preço de U$2 pareça ser mais simples e gerar a mesma receita, Alex decidiu ficar com U$1 porque ele queria que os usuários criassem tantos menus quanto quisessem.

Evoluindo

Depois que ele decidiu o preço, ele adicionou algumas features que os usuários precisavam. Depois de mais um tempo desenvolvendo a página de criação de menu ficou desse jeito:

menu2

Ainda um tanto crua, mas fazia o que se propunha, usando apenas PHP e Imagemagick durante duas noites de um adolescente russo programando.

Marketing

Primeiro, Alex focou em aumentar a conversão do tráfego já existente em seu outro produto, aumentando o botão e tornando-o mais visível, o que chegou a 150 visitas por dia na landing page do criador de menus. Além disso, quando os buscadores passaram a indexar a landing page o tráfego chegou a 200 visitantes por dia, com uma média de 100 usuários novos cadastrados no sistema.

Os testes terminaram em novembro de 2016:

testes-finais

Note que a coluna Users simplesmente reflete o número de usuários que se cadastraram na ferramenta, não necessariamente a usaram. Muitos acabam deixando pra usar depois, então os números se misturam um pouco.

Conclusões

Temos aqui um incrível sucesso? Não, mas certamente é útil para quem nunca empreendeu ver que não é algo do outro mundo fazer alguns milhares de R$ por mês com software (na data que escrevo este post, U$1000 são R$3190. Existem ainda muitas coisas que Alex poderia fazer para melhorar seus resultados e provavelmente ele deve estar fazendo isso. Caso alguém conheça russo e queira dar uma olhada no site dele, é esse aqui. Caso queira ler o artigo original na íntegra, o link é esse aqui.