Conselhos para quem quer empreender full-time

Palestrando no TDC 2016
Palestrando no TDC 2016

Esse post é focado em organizar em um só lugar algumas dicas de minha autoria para quem quer empreender full-time. Basicamente parte das minhas experiências pessoais com alguns toques do que eu faria de diferente hoje. Saí do meu emprego em 2012 para empreender e durante três anos toquei meu próprio negócio até que decidi voltar ao mercado de trabalho pois minha startup, apesar de ter faturamento, não decolou. Apesar disso, consegui viver bem durante este tempo, sem luxos ou firulas, mas bem, sem dívida alguma, sem precisar vender carro, etc.

Vou falar nesse post sobre:

  1. Planejamento
  2. Validação
  3. Migração
  4. Organização

Qualquer dúvida ou sugestão que tiver, deixe nos comentários no final do post!

Passo 1: Planejamento

Antes de sair xingando o chefe e dando tchau pra galera, pare e pense o motivo pelo qual está querendo empreender. Empreender é dureza e você nunca está 100% preparado psicologicamente para não ter seu salário caindo na conta todo dia 5. Você já sabe em qual área vai empreender? O quanto pretende faturar? Onde será seu escritório?

Um bom planejamento envolve:

  1. ter economias no banco que você possa queimar enquanto seu negócio não dá certo;
  2. encerrar suas atividades na empresa atual dignamente, pois você pode precisar voltar para lá ou ter referências deles algum dia;
  3. reduzir todos os custos supérfluos que podem existir no seu orçamento doméstico, pois a grana vai encurtar;
  4. conversar com sua família da sua ideia de empreender, pois você vai precisar de apoio moral e provavelmente financeiro;
  5. conseguir um mentor mais experiente ou um sócio para te ajudar no negócio, pois você vai ter muitas dúvidas e é sempre bom ter alguém pra conversar sobre elas ou até pra dividir a carga da responsabilidade de ter uma empresa;
  6. botar todas tudo no Excel pra manter o controle;

O que eu faria diferente? Na época minha esposa também estava empreendendo. Dois empreendedores em casa é algo um tanto problemático financeiramente. O ideal é que se você é casado e quer empreender, converse com sua esposa para que ela continue com um emprego fixo, só por precaução.

Além disso, eu deveria ter me planejado com mais antecedência. Lancei minha startup em julho e saí da empresa em setembro. Só que alguns meses antes de lançar minha startup eu troquei de carro, o que me gerou uma conta pesada que não era realmente necessária.

Passo 2: Validação

Não largue tudo para depois descobrir se a sua ideia tem potencial. Crie um MVP dela primeiro e só depois dele estar provado pense em largar seu emprego. Criar MVPs como side projects do seu emprego atual é uma ótima oportunidade de aprender mais e dependendo do quão avançado você conseguir, até gerar uma renda extra durante o processo, como um lifestyle business.

A regra é clara: só saia do seu emprego fixo se o seu empreendimento estiver gerando grana. Eu mesmo segui essa regra, embora se fosse fazer isso de novo hoje, sairia quando ele estivesse gerando grana suficiente para pagar todas minhas contas, o que não foi o caso na época.

Uma boa validação envolve (praticamente o ciclo do Lean Startup aqui):

  1. criar um MVP;
  2. tentar vender o seu MVP e conseguir 5 vendas;
  3. se não der certo, melhore seu MVP até conseguir as 5 vendas;
  4. continue tentando vender enquanto os primeiros compradores usam ele e lhe dão feedback de como melhorá-lo;
  5. implemente as melhorias sugeridas e continue trabalhando com as vendas até que você ganhe o suficiente para pagar as suas contas ou até que isso comece a trabalhar o seu emprego atual. Em ambos os casos, ou você terá de sair do emprego ou encerrar seu projeto de empreender.

O que eu faria diferente? Só sairia do meu emprego após o meu MVP estivesse faturando no mínimo o que eu precisar para pagar todas minhas contas fixas mensais. Além disso, escolheria melhor as minhas métricas de sucesso, uma vez que eu perdia muito tempo com métricas de vaidade.

Passo 3: Migração

Se você conseguiu fazer seu MVP lhe gerar tanta grana que pague todas as suas contas, ótimo, mas não foi assim comigo. Eu passei por um processo em que fui me desvencilhando aos poucos do “chapéu” de empregado e assumindo o de empreendedor. Basicamente mesmo após cortar todos os meus custos fixos e variáveis supérfluos, o que reduziu meu orçamento doméstico mensal de R$2.700 para R$1.800, eu não faturava R$1.800 com meu MVP e tinha de completar essa renda de alguma forma, a menos que eu me desfizesse do meu carro, que custava R$690 de prestação à época. Mas eu não queria. 🙂

Algumas coisas foram fáceis de cortar como Netflix, celular pós-pago para pré-pago, shopping todo final de semana. Outras foram mais difíceis com o curso e Inglês, que eu tive de fazer permuta com o dono da escola para pagar o curso com freelas de desenvolvimento pra ele. Além disso, fiz muitos apps mobile.

Eu fiz migração de empregado para empreendedor da seguinte forma:

  1. primeiro, saí do meu emprego atual que era de 8h/dia;
  2. peguei um contrato PJ (eu abri um CNPJ na época) de 4h/dia durante 6 meses em uma empresa de um amigo meu. Nas demais 4h eu trabalhava na minha empresa;
  3. depois dos 6 meses de contrato, passei a pegar freelas em que trabalhava 2h por dia neles e as demais 6h em minha empresa (como apps Android);
  4. depois de mais uns 6 meses consegui investimento para minha startup e passei a me dedicar 8h por dia à ela, podendo trazer inclusive meus sócios para vir trabalhar full-time comigo pois tinha grana em caixa pra isso;

Obviamente falar que eu trabalhei apenas 8h por dia em meu negócio é mentira, eu trabalhava no mínimo umas 12h por dia. Só nos finais de semana que eu costumava trabalhar menos, aí sim, provavelmente umas 8h.

O que eu faria diferente? Meus sócios só saíram de seus empregos depois que não havia mais risco. Isso não foi certo, pois eles estavam agindo como empregados. Exija tanto comprometimento de seus sócios quanto você está comprometido.

Outra coisa que eu faria diferente é trabalhar à noite em um serviço para queimar menos grana da empresa. Eu comecei a fazer isso depois de um ano empreendendo, trabalhando como professor em uma faculdade após o expediente na minha empresa. Com isso minha grana aumentou e diminuiu bastante minhas preocupações com as contas.

Passo 4: Organização

Trabalhar por conta própria é ser livre. E ser livre é muita responsabilidade, afinal, ninguém vai te dizer o que precisa ser feito e muito menos vai te pagar todo mês por apenas “estar trabalhando”. Ou você descobre o que precisa ser feito, o que é mais importante, ou seu negócio não gera grana e você vai quebrar logo, logo.

Se organizar é uma etapa fundamental do processo de ser um empreendedor. Você precisa ter muita disciplina e muitas vezes terá de fazer coisas que não gosta para que sua empresa dê certo, simplesmente porque elas são importantes para o crescimento do negócio. Se não definir prioridades bem claras e não executar todas as tarefas importantes, não tem milagre, você vai quebrar.

Uma maneira de organizar o seu dia-a-dia como empreendedor é:

  1. comece seu dia definindo as prioridades para o mesmo. Liste as coisas que devem ser feitas em uma planilha e coloque a prioridade de cada uma. Para definir a prioridade, pense a respeito de quanta receita aquela tarefa irá gerar ou economizar. Para ajustar a prioridade, pense no quão urgente é essa tarefa, se algo é urgente e vai gerar grana, deve ser mais prioritário de algo que apenas gera grana.
  2. pegue duas tarefas do topo da lista, que são mais prioritárias e urgentes que todas. Execute essas duas tarefas logo na manhã, isso garante que seu dia foi produtivo.
  3. no decorrer do dia, execute as demais tarefas da lista não necessariamente na ordem de prioridade, mas conforme o seu bom senso, apenas priorizando emergências que possam aparecer.

Pode soar um pouco estranho, mas é isso mesmo. Aprendi com um coach essa técnica muito simples há muito tempo atrás, e nesse meu post sobre produtividade tem mais algumas dicas adicionais.

O que eu faria diferente? Me organizaria dessa maneira desde o primeiro dia. Demorei um bom tempo até aprender que não dá pra fazer tudo que você precisa fazer em um dia só e que se você não botar regras e limites para o quanto é saudável trabalhar na empresa, você enlouquece. Eu perdi vários kgs no primeiro ano de empresa até organizar meu trabalho, pois não tinha tempo nem de me alimentar.

O que achou das dicas? Tem algo a acrescentar? Deixe aí nos comentários!

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Publicado por

Luiz Duarte

Pós-graduado em computação, professor, empreendedor, autor, Agile Coach e programador nas horas vagas.