De 1 centavo a 1k/mês em 1 ano: construindo renda passiva com ebooks

Renda passiva com ebooks
Renda passiva com ebooks

Tem algum tempo que não tenho escrito sobre empreendedorismo aqui no blog, o que não quer dizer que não esteja empreendendo. Embora minha ocupação principal seja como Especialista de Sistemas no banco Agiplan, ainda mantenho outros hobbies que geram renda como atuar como Evangelista Técnico para a Umbler e manter este blog em funcionamento. Mas o maior e mais interessante de todos os hobbies é o de criar fontes de renda passiva e é disso que venho falar hoje.

Faz alguns anos desde que li o livro do Tim Ferriss pela primeira vez (sim, eu já li várias vezes) e milhares de reais ganhos depois, sinto-me à vontade para escrever sobre como outras pessoas podem gerar mecanismos de renda passiva ou até mesmo lifestyle businesses completos. Hoje vou falar de como construí uma fonte de renda passiva de aproximadamente R$1.000/mês ao longo de um ano empreendendo com ebooks, tendo começado do zero.

Sim, do zero. Eu nunca havia escrito um livro antes, minha experiência era apenas como tradutor de livros de RPG e programação.

E não foi fácil, no primeiro mês ganhei apenas um centavo. No mês que escrevo este artigo, recebi pela primeira vez mais de um mil reais com meus ebooks que são vendidos no site da Amazon.

Passo 1: escreva o ebook

O primeiro passo obviamente é escrever o ebook. Eu uso o Google Docs para isso. Para fazer a capa eu uso as dicas deste artigo aqui.

Ah, você não sabe sobre o quê escrever? Ignore qualquer dica que tenha lido na Internet sobre nichos que mais vendem, já fiz isso e não deu certo. Escreva sobre algo que você entende bem e goste. Ponto final. Eu escrevo sobre programação, algo que faço e gosto de fazer há 11 anos.

Tamanho do livro? O formato do Kindle é o de livreto (eu recomendo vender na Amazon, por isso que menciono o Kindle aqui). Umas 60 páginas do Google Docs devem gerar em torno de 100 páginas do Kindle, um bom tamanho de livro para ser vendido na faixa de R$5,99 a R$9,99, dependendo da qualidade final do conteúdo.

Diagramação? Esqueça. Apenas escreva, use a formatação de título corretamente e crie o índice automático. Não use muitas imagens nem tabelas, ficam ruins no Kindle e encarecem os seus custos de distribuição (a Amazon desconta de você os MB de download do livro).

Não sabe como estrutura um livro? Dê uma olhada nos meus ou de outros autores ainda mais bem sucedidos e copie na cara dura. Estruturas de livros não são protegidas por direitos autorais. O conteúdo sim.

Não consegue escrever um livro do início ao fim? Escreva um capítulo de cada vez, como se fosse um microlivro. Escreva eles em qualquer ordem, sobre qualquer tópico dentro do assunto central, e só depois junte tudo, escreva os textos de “amarração” entre os capítulos e está pronto.

Passo 2: lance o ebook

Cadastre-se gratuitamente como autor independente no Kindle Direct Publishing da Amazon, que é a plataforma para vender ebooks na maior loja virtual do mundo.

Antes de lançar o ebook, lance a pré-venda dele. Isso te dará um deadline para terminar o livro e uma obrigação com seus leitores. A pré-venda pode durar até 3 meses e, caso você não lance o livro até a data, a Amazon te bloqueia por um ano como autor. Isso te ajudará a dar um sentimento de urgência e terminar de uma vez.

Pré-vendas não vendem muito quando não se é um autor famoso, meu recorde foi 12 unidades para o livro de Node.js, mas te ajudam psicologicamente a terminar o livro. Fiz isso em meus últimos lançamentos e deu muito certo.

No KDP você vai criar um novo livro, dar nome a ele, subir a sua capa, seu “manuscrito” (eu subo em docx) e definir o preço. Para pegar a maior comissão, que é 70%, você deve ter um preço mínimo de R$5,99 e inscrever seu livro no Kindle Unlimited, o que permite que os assinantes desse plano leiam seu livro “gratuitamente” e você receba por página lida.

Eu tenho uma regra de precificação bem simples, construída ao longo de um ano testando diferentes preços: livros de +-100 páginas eu cobro entre R$5,99 e R$9,99, dependendo do quão “exclusiva” é a informação que coloquei dentro do livro. Livros com mais de 200 páginas eu cobro R$14,99, o valor máximo que me permitiu vendas constantes.

Quando o ebook estiver pronto, suba a versão final e sinalize que ele está pronto. O manuscrito irá para uma revisão e sendo constatado que não há violações de direitos autorais ou nada que fira os termos de uso do KDP, ele estará disponível na loja em até 72h, embora tenha demorado sempre 24h para mim.

Passo 3: divulgue o ebook

Dizer que seu trabalho terminou ao lançar o ebook é mentira. Agora você tem de vendê-lo.

Ah você achou que a Amazon ia vender sozinha pra você? Pois é, ela até faz isso. Pra você e para milhares de outros autores independentes. Então para se destacar na multidão, você mesmo deve fazer seu próprio marketing.

Para isso eu uso meu blog, minhas redes sociais, uma mailing list e minha imagem pessoal, divulgando meu trabalho em eventos. Procuro fazer um marketing diferenciado, oferecendo conteúdos que interessem minha audiência e que motive-os a comprarem meus livros. Sugiro que faça o mesmo.

É importante que você entenda quais os mecanismos que mais lhe geram vendas, para que possa investir mais tempo neles. Existem plugins para WordPress, como o Pretty Links, que permitem que você rastreie links clicados pelos seus visitantes. Existem SaaS como o Mailmunch que permitem a você oferecer amostras grátis do seu ebook em troca do email da pessoa. Com esses emails coletados, você monta a sua mailing list.

Uma mailing list é importante para que você possa fazer marketing em cima dos seus leads, oferecer a versão completa do livro para quem baixou a gratuita, etc. Você pode fazer isso gratuitamente usando os recursos gratuitos de marketing automation do Mailchimp (até 2000 leads).

Caso você não tenha um blog, ao menos tente criar uma landing page para seu livro, eu recomendo o Instapage para isso pelos 30 dias grátis e facilidade de uso. Essa foi a estratégia que usei quando lancei o livro de Pokemon Go, mas essa é outras história e não vou falar dela aqui.

Para gerar tráfego para essa landing page ou mesmo pro seu blog, você pode divulgar em grupos de redes sociais do mesmo assunto ou gerar tráfego pago usando Google Adwords e Facebook Ads. Eu uso o primeiro e dá pra ter resultados muito legais com pouco dinheiro. Como eu tenho uma taxa de conversão de venda em torno de 10%, defino um CPC de 1% do valor do meu livro para atrair visitantes que tenham interesse por aquele assunto e assim garantir vendas e uma boa margem de lucro líquido.

Eu não sou exatamente um profissional de marketing, embora tenha estudado bastante inbound marketing quando trabalhava em uma startup de marketing automation, entre 2015 e 2016. Consigo gerar algumas vendas de livro por dia com estas técnicas, o que geram os resultados que você pode ver no relatório de pagamentos que ilustrou o início desse post ou o relatório de vendas abaixo.

Relatório de Vendas
Relatório de Vendas

O pico no dia 02/10 que você vê no gráfico foi um dia de promoção na Amazon. De tempos em tempos eles convidam autores para incluir seus títulos em promoções do site onde reduzem drasticamente o valor do seu livro (e sua comissão cai junto), mas vendem um volume muito acima do normal que compensa. Eu sempre aceito e nunca me arrependo, às vezes vendo o total de um mês em apenas um dia.

Passo 4: repita o processo

Gerar renda passiva em grande quantidade com ebooks leva tempo e igualmente um número de ebooks. Mesmo J.K. Rowling (Harry Potter), que é a autora mais rica da história, precisou de 7 livros para alcançar esta façanha. Provavelmente se tivesse lançado apenas o primeiro, apesar de bem escrito, não teria conseguido tanto dinheiro.

Assim que lançar seu primeiro livro, monitore os resultados das vendas, trabalhe para melhorar os pontos nos quais sua audiência “reclama” ou solicita (recomendo dentro do livro colocar informações para contato) e depois de um tempo, já pense no próximo.

O ideal é que haja sinergias entre seus livros, para conseguir fazer cross-selling (venda de produtos complementares). Por exemplo, meu livro de Scrum é complementar aos livros de programação. Já o novo livro que estou trabalhando, de MongoDB, é complementar ao livro de Node.js.

Assim, você consegue vender mais produtos para os mesmos clientes que já cativou com o primeiro lançamento. Isto considerando que você tenha escrito um bom ebook. Eu tenho vários ebooks lançados mas apenas 3 realmente geram renda, os demais não deram certo. Não é impossível, mas é difícil chegar na marca de 1k/mês de receita com apenas um ebook.

A dica aqui é usar o mesmo ciclo construir-medir-aprender do Lean Startup. Eu tive a “sorte” de conseguir gerar um volume legal de vendas logo com meu primeiro ebook (+-R$300/mês), assim que aprendi como divulgá-lo. Esse aprendizado eu levei adiante comigo nos demais projetos e diminuí bastante o tempo para ter retorno sobre o investimento realizado (ROI).

A parte boa é: escrever o primeiro é muito mais difícil que os demais. Então não se acovarde e comece hoje mesmo!

Bônus: Otimizando os ganhos

Reunindo algumas dicas aleatórias para otimizar ganhos com ebooks:

  • associe-se no programa de afiliados da Amazon para vender seus próprios ebooks e ganhar uma comissão adicional de 9% (chegando a 79% de comissão);
  • dentro de seu ebook, indique seus outros ebooks;
  • dentro do seu ebook, atraia seu leitor para suas redes sociais e blog, principalmente visando capturar o email dele;
  • crie campanhas automatizadas de marketing para engajar seus leads e clientes;
  • forneça uma versão gratuita ou use o preview do seu livro na Amazon como um chamariz para as pessoas conhecerem seu trabalho sem ter de pagar;
  • se não tem um blog ou tem mas quer aumentar sua exposição na internet, escreva em blogs de terceiros como o iMasters;
  • crie sua página de autor na Amazon;
  • inscreva seus livros no Kindle Unlimited, assim, além das vendas, você ganha alguns centavos por cada página lida dos associados no programa;
  • peça reviews dos seus livros, quanto mais reviews e vendas, mais alto ele fica nas posições de destaque na Amazon e consequentemente terá mais vendas;
  • qualidade não é quantidade, foque-se em escrever um pequeno e bom livro e você vai vender bem;

Até a próxima!

Conselhos para quem quer empreender full-time

Palestrando no TDC 2016
Palestrando no TDC 2016

Esse post é focado em organizar em um só lugar algumas dicas de minha autoria para quem quer empreender full-time. Basicamente parte das minhas experiências pessoais com alguns toques do que eu faria de diferente hoje. Saí do meu emprego em 2012 para empreender e durante três anos toquei meu próprio negócio até que decidi voltar ao mercado de trabalho pois minha startup, apesar de ter faturamento, não decolou. Apesar disso, consegui viver bem durante este tempo, sem luxos ou firulas, mas bem, sem dívida alguma, sem precisar vender carro, etc.

Vou falar nesse post sobre:

  1. Planejamento
  2. Validação
  3. Migração
  4. Organização

Qualquer dúvida ou sugestão que tiver, deixe nos comentários no final do post!

Passo 1: Planejamento

Antes de sair xingando o chefe e dando tchau pra galera, pare e pense o motivo pelo qual está querendo empreender. Empreender é dureza e você nunca está 100% preparado psicologicamente para não ter seu salário caindo na conta todo dia 5. Você já sabe em qual área vai empreender? O quanto pretende faturar? Onde será seu escritório?

Um bom planejamento envolve:

  1. ter economias no banco que você possa queimar enquanto seu negócio não dá certo;
  2. encerrar suas atividades na empresa atual dignamente, pois você pode precisar voltar para lá ou ter referências deles algum dia;
  3. reduzir todos os custos supérfluos que podem existir no seu orçamento doméstico, pois a grana vai encurtar;
  4. conversar com sua família da sua ideia de empreender, pois você vai precisar de apoio moral e provavelmente financeiro;
  5. conseguir um mentor mais experiente ou um sócio para te ajudar no negócio, pois você vai ter muitas dúvidas e é sempre bom ter alguém pra conversar sobre elas ou até pra dividir a carga da responsabilidade de ter uma empresa;
  6. botar todas tudo no Excel pra manter o controle;

O que eu faria diferente? Na época minha esposa também estava empreendendo. Dois empreendedores em casa é algo um tanto problemático financeiramente. O ideal é que se você é casado e quer empreender, converse com sua esposa para que ela continue com um emprego fixo, só por precaução.

Além disso, eu deveria ter me planejado com mais antecedência. Lancei minha startup em julho e saí da empresa em setembro. Só que alguns meses antes de lançar minha startup eu troquei de carro, o que me gerou uma conta pesada que não era realmente necessária.

Passo 2: Validação

Não largue tudo para depois descobrir se a sua ideia tem potencial. Crie um MVP dela primeiro e só depois dele estar provado pense em largar seu emprego. Criar MVPs como side projects do seu emprego atual é uma ótima oportunidade de aprender mais e dependendo do quão avançado você conseguir, até gerar uma renda extra durante o processo, como um lifestyle business.

A regra é clara: só saia do seu emprego fixo se o seu empreendimento estiver gerando grana. Eu mesmo segui essa regra, embora se fosse fazer isso de novo hoje, sairia quando ele estivesse gerando grana suficiente para pagar todas minhas contas, o que não foi o caso na época.

Uma boa validação envolve (praticamente o ciclo do Lean Startup aqui):

  1. criar um MVP;
  2. tentar vender o seu MVP e conseguir 5 vendas;
  3. se não der certo, melhore seu MVP até conseguir as 5 vendas;
  4. continue tentando vender enquanto os primeiros compradores usam ele e lhe dão feedback de como melhorá-lo;
  5. implemente as melhorias sugeridas e continue trabalhando com as vendas até que você ganhe o suficiente para pagar as suas contas ou até que isso comece a trabalhar o seu emprego atual. Em ambos os casos, ou você terá de sair do emprego ou encerrar seu projeto de empreender.

O que eu faria diferente? Só sairia do meu emprego após o meu MVP estivesse faturando no mínimo o que eu precisar para pagar todas minhas contas fixas mensais. Além disso, escolheria melhor as minhas métricas de sucesso, uma vez que eu perdia muito tempo com métricas de vaidade.

Passo 3: Migração

Se você conseguiu fazer seu MVP lhe gerar tanta grana que pague todas as suas contas, ótimo, mas não foi assim comigo. Eu passei por um processo em que fui me desvencilhando aos poucos do “chapéu” de empregado e assumindo o de empreendedor. Basicamente mesmo após cortar todos os meus custos fixos e variáveis supérfluos, o que reduziu meu orçamento doméstico mensal de R$2.700 para R$1.800, eu não faturava R$1.800 com meu MVP e tinha de completar essa renda de alguma forma, a menos que eu me desfizesse do meu carro, que custava R$690 de prestação à época. Mas eu não queria. 🙂

Algumas coisas foram fáceis de cortar como Netflix, celular pós-pago para pré-pago, shopping todo final de semana. Outras foram mais difíceis com o curso e Inglês, que eu tive de fazer permuta com o dono da escola para pagar o curso com freelas de desenvolvimento pra ele. Além disso, fiz muitos apps mobile.

Eu fiz migração de empregado para empreendedor da seguinte forma:

  1. primeiro, saí do meu emprego atual que era de 8h/dia;
  2. peguei um contrato PJ (eu abri um CNPJ na época) de 4h/dia durante 6 meses em uma empresa de um amigo meu. Nas demais 4h eu trabalhava na minha empresa;
  3. depois dos 6 meses de contrato, passei a pegar freelas em que trabalhava 2h por dia neles e as demais 6h em minha empresa (como apps Android);
  4. depois de mais uns 6 meses consegui investimento para minha startup e passei a me dedicar 8h por dia à ela, podendo trazer inclusive meus sócios para vir trabalhar full-time comigo pois tinha grana em caixa pra isso;

Obviamente falar que eu trabalhei apenas 8h por dia em meu negócio é mentira, eu trabalhava no mínimo umas 12h por dia. Só nos finais de semana que eu costumava trabalhar menos, aí sim, provavelmente umas 8h.

O que eu faria diferente? Meus sócios só saíram de seus empregos depois que não havia mais risco. Isso não foi certo, pois eles estavam agindo como empregados. Exija tanto comprometimento de seus sócios quanto você está comprometido.

Outra coisa que eu faria diferente é trabalhar à noite em um serviço para queimar menos grana da empresa. Eu comecei a fazer isso depois de um ano empreendendo, trabalhando como professor em uma faculdade após o expediente na minha empresa. Com isso minha grana aumentou e diminuiu bastante minhas preocupações com as contas.

Passo 4: Organização

Trabalhar por conta própria é ser livre. E ser livre é muita responsabilidade, afinal, ninguém vai te dizer o que precisa ser feito e muito menos vai te pagar todo mês por apenas “estar trabalhando”. Ou você descobre o que precisa ser feito, o que é mais importante, ou seu negócio não gera grana e você vai quebrar logo, logo.

Se organizar é uma etapa fundamental do processo de ser um empreendedor. Você precisa ter muita disciplina e muitas vezes terá de fazer coisas que não gosta para que sua empresa dê certo, simplesmente porque elas são importantes para o crescimento do negócio. Se não definir prioridades bem claras e não executar todas as tarefas importantes, não tem milagre, você vai quebrar.

Uma maneira de organizar o seu dia-a-dia como empreendedor é:

  1. comece seu dia definindo as prioridades para o mesmo. Liste as coisas que devem ser feitas em uma planilha e coloque a prioridade de cada uma. Para definir a prioridade, pense a respeito de quanta receita aquela tarefa irá gerar ou economizar. Para ajustar a prioridade, pense no quão urgente é essa tarefa, se algo é urgente e vai gerar grana, deve ser mais prioritário de algo que apenas gera grana.
  2. pegue duas tarefas do topo da lista, que são mais prioritárias e urgentes que todas. Execute essas duas tarefas logo na manhã, isso garante que seu dia foi produtivo.
  3. no decorrer do dia, execute as demais tarefas da lista não necessariamente na ordem de prioridade, mas conforme o seu bom senso, apenas priorizando emergências que possam aparecer.

Pode soar um pouco estranho, mas é isso mesmo. Aprendi com um coach essa técnica muito simples há muito tempo atrás, e nesse meu post sobre produtividade tem mais algumas dicas adicionais.

O que eu faria diferente? Me organizaria dessa maneira desde o primeiro dia. Demorei um bom tempo até aprender que não dá pra fazer tudo que você precisa fazer em um dia só e que se você não botar regras e limites para o quanto é saudável trabalhar na empresa, você enlouquece. Eu perdi vários kgs no primeiro ano de empresa até organizar meu trabalho, pois não tinha tempo nem de me alimentar.

O que achou das dicas? Tem algo a acrescentar? Deixe aí nos comentários!

Dicas profissionais para quem quer escrever um ebook

Não parei pra fazer as contas exatas, mas neste mês de junho, em que completo um ano como autor de livros, acredito ter faturado algo próximo a R$13.000 líquidos com minhas obras. Nada incrível, mas muito motivador para seguir em frente. Em dado momento me questionei se era possível “viver” apenas escrevendo ebooks e consultando os resultados de pessoas muito mais bem sucedidas que eu nesse meio, como Raiam Santos e Eldes Saullo, a resposta foi um sonoro sim e isso me motivou bastante.

Não acredito que o meu modelo de lifestyle business se baseará inteiramente na venda de ebooks a longo prazo, até porque não é isso que aprendi com o Yaro Starak, por exemplo, mas é muito bom saber que existe essa possibilidade, ou deveria chamar de plano B? 🙂

Neste artigo, trago números, nomes e técnicas profissionais para quem quer empreender nesse meio. A maioria, uns 80% delas, não são de minha autoria, mas de escritores muito mais bem sucedidos que eu. Ficou um tanto extenso, mas muito completo e se escrever ebook é o seu objetivo a curto prazo, separa um tempinho aí e lê que está valendo a pena.

Queria ter encontrado um post tão bom na época que eu estava começando, errei muito no meu caminho até agora e poderia ter evitado muitos obstáculos que me fizeram perder dinheiro.

Nesse artigo você vai ver:

Por que escrever ebooks? Por que agora?

Os números não mentem: a Amazon já vende mais ebooks mundialmente do que livros físicos e ela tem vendido cerca de 1 milhão de dispositivos Kindle por semana! Editoras gigantes como a Random House já tem 20% do seu faturamento baseado em ebooks. Um dos meus autores favoritos, Tim Ferriss, alega estar vendendo aproximadamente 50% de suas cópias em mídias digitais.

Amazon e seu programa KDP são a vanguarda desta revolução editorial. Através do leitor Kindle e da sua loja de livros digitais, os autores independentes conseguem se auto-publicar e obter uma audiência de leitores. Essa gigantesca empresa já detém hoje a atenção de cerca de 20% dos usuários de Internet do mundo. Alie a isso as altas taxas de royalties de 35-70% que são no mínimo mais que o dobro dos 10-15% que o mercado editorial costuma pagar aos autores, permitindo mais facilmente que escritores consigam ter um estilo de vida razoável ou, em alguns casos, até mesmo fortunas.

O caminho para se tornar um milionário com ebooks não é fácil, mas é possível desde que você siga as melhores práticas. Não é obrigatório vender na plataforma da Amazon para faturar 1M, como este ebook de abdominais provou no passado.

Aqui no Brasil a realidade de ebooks ainda não é tão “bela”, representando apenas 2% das vendas de livros no país, no entanto é algo que vem crescendo vertiginosamente nos últimos anos desde que a Amazon chegou oficialmente ao país impulsionando as demais livrarias a investirem mais pesado neste mercado. E embora os ganhos sejam menores se você pretende publicar apenas em Português, a concorrência também é menor, como o meu livro de Scrum prova ao estar na primeira posição de vendas há diversos meses na Amazon em categorias como Gerenciamento de Projetos, Computação e Tecnologia.

O restante deste artigo são estudos realizados por mim em fontes americanas visando coletar boas práticas e recomendações de escritores independentes bem-sucedidos que acredito que possam ser de grande valia para os escritores brasileiros.

Entendendo a Amazon e seleção de nicho

O primeiro passo é pesquisa de mercado.

Você deve conhecer bastante a Loja Kindle, verificar quais são os livros mais vendidos e os autores que mais vendem. Leia as descrições destes livros, as reviews dos usuários e dê uma olhada nos preços. Isso lhe dará insights do que vende e o que não vende na loja, e onde há espaço para melhorar. Quantos livros de não-ficção estão no top 10? Que gênero mais vende? Qual o preço médio de um bestseller Kindle? Como as capas se parecem? Quantas reviews cada um tem? Qual a média de pontuação das reviews? Qual a correlação entre as notas e seu ranking atual?

Depois que entender como a mecânica da loja e o comportamento do mercado funcionam, é a hora de escolher o nicho de livro que você vai escrever.

Claro, o ideal é que você escolha um nicho que goste de ler, embora se estiver atrás apenas de algo que seja lucrativo, possa escolher uma abordagem mais analítica como a do Noah Kagan. Apenas tome cuidado se o que você gosta de ler é algo muito específico e pouco popular, pois neste caso você não vai ter muito sucesso. O seu nicho selecionado deve estar alinhado com as demandas atuais de mercado, por isso que navegar bastante e entender a Amazon é muito importante.

Uma vez que você tenha determinado um nicho, invista tempo pesquisando o seu ‘comprador ideal’. Quem vai comprar o seu livro? Que sites o seu público acessa? Por que eles compram ebooks (será que eles compram?)? Qual a sua idade média? Receita mensal? O seu público conhece a Amazon? Compra online? Eles buscam livros com soluções para problemas ou histórias para se distrair?

Esteja preparado para gastar horas e horas nessa pesquisa, embora alguns especialistas gastem semanas, como Tim Ferriss, autor de Trabalhe 4h por semana. Quando ele está escrevendo um novo livro que ele acha que pode ser interessante, costuma questionar sua base de 2M de leitores sobre quais livros eles lêem atualmente que seja do mesmo nicho que ele planeja explorar. Ele agrega esses dados para ver um padrão de recomendação e pega os 20 mais mencionados por seus leitores para fazer um estudo mais aprofundado:

  • primeiro selecione aqueles cuja pontuação média seja maior de 4 estrelas, no máximo 20, em ordem decrescente de pontuação;
  • para cada um desses livros 4 estrelas, leia as reviews cujas notas sejam 3 e 4, pois essas são as que mais dão críticas construtivas;
  • para cada review que você ler, encontre as falhas que os leitores relatam e que você pode evitar que aconteçam no seu livro. Anote-as para não esquecer e dê muita atenção aos recorrentes. Mesmo os best-sellers possuem fraquezas.
  • para cada review que você ler, anote também recomendações de conteúdos que o autor deixou para trás no livro dele e que os usuários consideraram importante. Explore esses conteúdos no seu livro e deixe isso evidente mais tarde na sua descrição.
  • usando o Kindle Unlimited, que permite que você leia infinitos livros pagando apenas uma taxa mensal, baixe todos os livros da sua lista 4 estrelas e leia os Popular Highlights de cada um ordenados por Most Popular. Isso vai lhe ajudar a encontrar os melhores conteúdos de cada livro sem ter de ler eles por inteiro.

Outras dicas, desta vez de Ryan Buckley, do site Scripted:

  • dietas e perda de peso são os mais vendidos desde sempre;
  • livros de Negócios tendem a conseguir bastante leitores também, principalmente se você conseguir destilar conteúdos complicados em uma linguagem mais simples, como os resumos de disciplinas de MBA e Economia;
  • Reddit é uma boa fonte de ideias. Entre em tópicos que possam lhe interessar e busque por ideias como nessa lista de sub-tópicos ordenados por popularidade.
  • Se quiser criar uma carreira a longo prazo como escritor, não fique pulando de nicho em nicho, agarre um e domine ele, criando uma identidade com seus leitores (eu faço isso me baseando em livros de programação principalmente).

Criando o ebook

Tim Ferriss diz que se você não consegue escrever um bom e completo post de blog (3.000 palavras) não deveria se aventurar em escrever um livro, pois essa pode ser a tarefa mais chata e desgastante da sua vida. E eu assino embaixo. Pessoas que não tem o costume de escrever tendem a ter muita dificuldade de colocar seus pensamentos em uma ordem que fique boa de serem lidos depois. Jason Fried do Basecamp vai além ao dizer no livro Getting Real que ‘entre dois candidatos empatados para uma vaga, ele escolhe aquele que escreve melhor’ se baseando no fato de que a pessoa consegue organizar melhor suas ideias, estruturar seus pensamentos em início, meio e fim, etc.

O Tim ainda recomenda que escritores de primeira viagem deveriam exercitar essa habilidade escrevendo semanalmente em algum blog, mesmo que não possua um próprio, pensando em cada post como um capítulo de um livro. Isso vai te dar uma noção se escrever um livro é uma boa ideia para você.

Para Randy Ingmerson, autor de 6 livros best-sellers na Amazon, o melhor é usar o Snowflake Method: você deve criar a estrutura completa dos eu livro, com cada capítulo que ele vai ter, quais seções vão ter dentro de cada capítulo. Pegue cada personagem (se for ficção) e crie sua “ficha completa”, como faria em um jogo de RPG. Com história, características, habilidades, etc. Pegue cada cenário em que a história vai se passar e faça rabiscos de como ele se parece, escreva sobre suas características, peculiaridades, etc. Agora se for não-ficção, liste todos os tópicos importantes, vá agrupando eles dentro de ideias em comum e depois vá inflando-os com conteúdo. Se ainda assim não tiver ideia de como estruturar, analise a estrutura dos bestsellers do mesmo nicho, veja como os autores (ou às vezes os editores) organizaram o livro e faça o mesmo, ou melhor, se puder.

Já Tim Ferriss diz que uma dica que funciona muito com ele é “tornar cada capítulo do livro independente, com início, meio e fim, como se fosse uma revista”. Dessa maneira ele alega que consegue escrever de maneira mais coerente, em qualquer ordem e os leitores depois conseguem ler também o que mais lhes interessa rápida e facilmente.

Com relação ao “tom” ou à “voz” da sua escrita, a dica geral é não querer parecer um gênio literário, a menos que você seja um. Escreva corretamente mas sem floreios, tal qual você conversaria com um aluno para ensinar-lhe algo. Você inclusive pode se espelhar em seus autores favoritos, existem milhares por aí bem sucedidos que você pode tomar como exemplo. Claro, aqui considero que você é um ávido leitor, caso contrário, como espera ser um escritor se você não tem o costume de ler?

Uma última dica: crie uma rotina de escrita. Defina um ou mais dias da semana com os horários em que vai se dedicar à tarefa de escrever. Mas defina apenas o tempo que você realmente vai se comprometer e siga essa rotina. Escrever um livro inteiro não é algo que acontece do dia para a noite e você vai precisar de paciência e consistência. Além de inteligência, é claro! 🙂

Para quem é muito bom com ideias e conteúdo mas é péssimo em organizar isso tudo no “papel”, uma ideia pode ser terceirizar a escrita do livro com ghost writers, escritores profissionais pagos para escrever livros cuja autoria é dada a outra pessoa.

No entanto, existem dois aspectos que vai ser difícil de você terceirizar com sucesso: a capa e o título.

Capa e Título

Não falo da arte final da capa, que já mencionei em outro post maneiras rápidas e baratas de se fazer. Falo do que vai ter na capa, qual ideia você quer passar, os elementos principais, cores principais, etc. Isso VOCÊ tem que pensar, no máximo pedindo opiniões de terceiros.

Nunca julgue um livro pela capa.

Esse é um dito muito popular, certo? E completamente errado, principalmente se levarmos ele ao pé da letra. Uma capa importa, e muito, para o sucesso de um livro. Eu vivenciei isso na pele quando lancei meu ebook de Java para Iniciantes com uma capa horrorosa criada no editor de capas da Amazon. Simplesmente não vendia nenhuma cópia e agora que troquei a capa pela atual, muito mais profissional, vendo unidades todos os dias.

Para Ryan Buckley, ter uma capa profissional mostra seu esmero em fazer um bom livro, do início ao fim. Se sua capa é desleixada, o que esperar do seu conteúdo? Eu trabalhei durante alguns anos no ramo de apps mobile, e por isso posso fazer a seguinte analogia: o que você acharia de um app indie cujo ícone fosse claramente feito de má vontade, tipo no MS Paint? Você instalaria esse app em seu smartphone?

Sobre o título, vale a mesma ressalva de que você vai ter de se empenhar nele, embora existam maneiras rápidas e baratas de se escolher títulos racionalmente para livros. Uma delas é usando o AdWords Keyword Planner (crie a conta e use no menu Ferramentas, é de graça) para verificar a densidade de busca por determinadas palavras-chave no Google, outra é usando o Google Trends para ver tendências de busca. Mas a mais recomendada por especialistas como Samuel Pereira e o próprio Tim Ferriss é criando campanhas pagas no Google AdWords com cada um dos títulos e subtítulos que você pensou para o livro e ver qual campanha converte mais. Simples assim. Ok, você vai ter de gastar algum dinheiro, tem uma abordagem muito mais analítica e precisa.

Marketing e promoção do ebook

Ok, falei de conteúdo, capa e título. Claro que se seu livro for muito bom ele vai se vender sozinho, certo?

Errado.

Marketing é o que separa os aventureiros na plataforma da Amazon e quem realmente ganha dinheiro de verdade. Como você está se tornando um escritor independente e não terá uma editora para cuidar do marketing do seu livro, você vai ter de se virar para que seu livro se torne conhecido.

A Amazon Brasil não lhe ajuda muito neste sentido, lhe permitindo no máximo criar promoções de livro gratuito durante 5 dias a cada 3 meses. Ocasionalmente, se seu livro, for bom, lhe convidam para promoções especiais. No restante do tempo você vai ter de competir pela atenção dos visitantes da loja pelas centenas de milhares de opções disponíveis.

A minha opinião pessoal é de que o melhor caminho para fazer um marketing eficiente do seu trabalho e consequentemente do seu livro é através de um blog ou fanpage, tanto faz, mas tem de ser um canal bilateral para falar com sua audiência. Neste ponto as lições do Tim Ferriss sobre como construir um blog de sucesso são demais. Ele começou seu blog para promover seu primeiro livro Trabalhe 4h por semana e hoje é a marca pessoal de Tim, com mais de 2M de assinantes da sua newsletter. E se você acha que ele já começou com um blog bacanudo, você está muito enganado. Além disso, as lições de Jeff Walker de como fazer um lançamento matador do seu produto podem lhe ser muito úteis nessa etapa.

Divulgue seu livro em suas redes sociais, divulgue fotos dele, trechos ou até capítulos inteiros que possam instigar o leitor a querer mais. Forneça conteúdos relacionados gratuitamente, o grátis sempre chama muito a atenção da audiência O ideal é que se você quer ser um escritor a longo prazo, você deve criar uma marca pessoal, assinar seus livros sempre da mesma forma, manter uma coerência no que escreve, etc, tipo o que eu faço aqui no blog e na minha fanpage no Facebook.

A única e principal dica que Barry Eisler, um escritor bestseller milionário, dá é a de nunca vender nada nas redes sociais. Use esses canais para dar material gratuito e chamar a atenção para o seu trabalho. Se fizer bem isso, as vendas virão pois o público vai se interessar e querer mais.

Eu tenho algumas dicas próprias também, neste post, que tratam principalmente de pré-venda e promoção de dias gratuitos.

Preço, descrição e avaliações

Quando o assunto é preço existe uma enorme vantagem para os escritores independentes, uma vez que suas margens são maiores e seus custos são marginais. Experimente tentar barganhar com uma editora e você vai ver a choradeira que eles vão fazer por causa dos custos de logística, impressão, marketing, etc.

Nos EUA, a recomendação de Ryan Bucksley é definir algo entre U$0.99 e U$2,99 caso seja seu primeiro livro, ou seja, você é um completo desconhecido para os leitores. No Brasil, eu começaria com algo não menor que R$5,99 e não maior que R$9,99 para um livro de aproximadamente 100 páginas. Livros menores que isso são populares por terem preços ainda mais agressivos como R$1,99, o menor permitido pela Amazon Brasil. Só recomendo este tipo de livro curto e barato caso esteja querendo potencializar a venda de uma versão maior dele, como explica neste post.

Sobre a descrição, algo que eu demorei a descobrir e que vários sites não falavam é que você pode (e deve) usar HTML para chamar mais a atenção do leitor. Dê uma olhada nessa descrição do meu livro mais vendido na Amazon, sobre Scrum e Métodos Ágeis de desenvolvimento de software. Note como uso diferentes formatações (através de tags HTML) para chamar a atenção do leitor para diferentes pontos. Se você analisar as descrições de livros ainda mais marotos como os do Raiam Santos, verá que ele utiliza técnicas semelhantes.

Pense na descrição do seu livro como sendo a contra-capa dele. Todo mundo lê a contra-capa antes de comprar um livro, certo? Então faça com carinho. Além desse comportamento óbvio do leitor, saiba que as palavras que você usa na sua descrição também tornam seu livro mais fácil de encontrar na barra de pesquisa da Amazon.

Sobre as avaliações/reviews de seu livro, elas são muito, mas muito importantes por diversos fatores que eu já pude experimentar na prática.

  • ninguém quer ser o primeiro a comprar o livro de um autor desconhecido, então seja rápido em conseguir as primeiras reviews.
  • ninguém quer comprar um livro cujas reviews sejam ruins, então faça um bom trabalho dentro do seu livro e não minta na descrição do mesmo apenas para converter.
  • as avaliações podem ser anônimas, então não fique constrangido de pedir para seus parentes comprarem e avaliarem seu livro logo nos primeiros dias, é o que vai dar o impulso inicial que você precisa para ser bem sucedido. Autores famosos como John Locke já afirmaram que inclusive pagam para ter essas críticas iniciais.
  • as avaliações impactam diretamente no seu posicionamento nas páginas de resultados de pesquisa na Amazon. Então é importante receber avaliações regularmente para continuar se mantendo no topo ou galgar posições nos resultados.

Conclusões

O mais legal sobre criar um negócio baseado (ou ao menos cuja parte seja) ebooks é que ele funciona perfeitamente no piloto automático tal qual é o sonho de muitos empreendedores, gerando renda passiva inteligente, assim como ensinado pelo Pat Flynn. Um portfólio de livros bem escritos como os de Eisler podem lhe tornar independente financeiramente por muito tempo, sendo que de tempos em tempos você sempre pode lançar novos títulos no mercado, como eu planejo fazer em breve.

E você, como estão os seus empreendimentos digitais?