O que é um Agile Coach?

No final do ano passado eu fui promovido a Agile Coach, função que até então eu nunca havia desempenhado na minha carreira antes, apesar de estar trabalhando com Scrum e métodos ágeis de desenvolvimento de software desde 2010. Hoje, após meses exercendo esta função me sinto corajoso o suficiente para tentar definir a mesma e ajudar outras pessoas a trilhar este caminho.

Agile Coach foi um termo que passou a ser falado em 2008 ao redor do mundo, popularizando-se por volta de 2012, sendo que no Brasil só atingiu um mínimo de popularidade em 2015, segundo dados do Google Trends. Em 2012 especificamente, ano em que o Spotify publicou seu famoso vídeo sobre Engineering Culture, Agile Coach nada mais era do que um Scrum Master “descolado” do Scrum, ou seja, um líder/mentor/facilitador em métodos ágeis, mas não obrigatoriamente Scrum.

Mais tarde, com a evolução dos modelos de agilidade em escala, passou-se a defender o papel de Agile Coach de maneira diferente do Scrum Master, com um propósito mais abrangente e menos operacional dentro das empresas ágeis. E é dessa evolução do Agile Coach que venho falar hoje.

Agile Master

Talvez você veja por aí o termo Agile Master também, mas ele sim é “apenas” (sem desmerecer) um Scrum Master mais genérico, que não prescreve somente o Scrum. Isso evita a criação de XP Master, Kanban Master, etc. Apenas tenha em mente que Agile Master não é o mesmo que Agile Coach.

Coach

Para quem não conhece o termo, um Coach é literalmente um técnico, uma pessoa responsável por ajudar pessoas a desenvolverem o seu potencial. Não confundir com um mentor, que seria uma pessoa mais experiente em uma área de conhecimento na qual a pessoa busca se aprofundar, embora um Coach também possa ser um mentor. Existem Coaches em diversas áreas, sendo os mais famosos os coaches de liderança (que atuam com executivos geralmente) e cada vez mais na área da computação, os Agile Coaches vem tomando um lugar cada vez mais expressivo nas empresas.

Um Agile Coach é um treinador de práticas ágeis. Na sua essência ele nasce como um Scrum Master experiente que possui um rol variado de dinâmicas e práticas ágeis e larga experiência aplicando métodos ágeis em times de desenvolvimento de produtos. É alguém que já vivenciou implantações de modelos ágeis antes, aprendeu com os erros de outros times e empresas, etc. Basicamente um Scrum Master calejado e com muita empatia, com estômago forte para os desafios e conflitos que vem junto com a agilidade em grande escala.

Com esse arsenal de recursos, ele capacita times a se tornarem ágeis mais rapidamente, empodera Scrum Masters, orienta Product Owners, remove impedimentos estratégicos e operacionais para adoção da agilidade em escala empresarial e muito mais. Em escala corporativa, cabe ao Agile Coach fazer a ponte cultural entre os times ágeis e as demais áreas “não-ágeis” da organização.

Pense no Agile Coach como o Scrum Master dos Scrum Masters. É a ele que recorrem quando possuem impedimentos do processo.

Vale ressaltar que o papel de coach, seja com qualquer expertise técnica, é algo que pode ajudar profundamente as pessoas e os times a evoluírem mais rapidamente rumo a uma condição-alvo desejada. Infelizmente a palavra hoje em dia sofre com a má atuação de muitos charlatães por aí. Os poucos Agile Coaches que conheço eu sei que fazem um trabalho sério, mas infelizmente não posso dizer o mesmo de vários coaches de outras áreas.

Rotina

Trabalho dentro da área de Governança de TI da empresa, uma vez que como Agile Coach não posso estar vinculado a nenhuma tribo de desenvolvimento específica, sou um recurso compartilhado entre as nove tribos que temos. A minha rotina como Agile Coach é divida entre um operacional e projetos. Até aí nenhuma novidade, não é mesmo?

Meu operacional principal é o coaching que faço com os Product Owners, Scrum Masters e Team Leaders (como chamamos os gerentes ágeis no Agibank). Além desse operacional tem o Scrum of Scrums, que é a reunião semanal com os Scrum Masters pra alinhar as práticas e processos, mediações de conflitos ocasionais, a organização mensal da Sprint Review dos times (que fazemos publicamente e chamamos de Demo) e uma avaliação mensal de indicadores dos times.

Já a parte de projetos envolve criação e melhoria contínua dos processos institucionalizados, capacitações em grande escala, criação de materiais de apoio e muito mais. Sempre visando a evolução do modelo desenhado originalmente e a disseminação de uma cultura ágil dentro da empresa.

Cultura

A parte mais difícil do trabalho do Agile Coach é ser agente transformador da mudança cultural de uma organização. Uma coisa é aplicar Scrum em um time, tal qual eu sempre estive acostumado a fazer como Scrum Master. Você consegue o apoio do seu chefe imediato e o resto é com você, não há muita mágica.

Quando se fala em diversos times trabalhando no modelo ágil, é necessário que exista o aval para criação de uma cultura ágil de desenvolvimento. É necessário educar as áreas que demandam os projetos que o modus operandi muda nesse novo modelo. É necessário empoderar os Product Owners para que consigam priorizar os backlogs com sucesso e que não sejam meros fantoches dos gerentes.

Formar times reais é uma prioridade aqui e o “eu” dá lugar ao “nós” quando o assunto são objetivos e entregas a serem feitas pelo time. E essa mentalidade não surge do dia pra noite, cabendo ao Agile Coach e outros líderes deste processo ágil serem os catalisadores dessa mudança.

Este não é exatamente um artigo pronto. Pretendo atualizar ele conforme for descobrindo mais facetas da minha nova função e até mesmo corrigi-lo caso meu entendimento se mostre equivocado com o passar do tempo. Escrevi outro recentemente, desta vez falando sobre as competências necessárias (cheio de referências) para se tornar um bom Agile Coach, que você pode ler neste link.

Obviamente adoraria receber o seu feedback nos comentários.

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