O que é um Agile Coach?

No final do ano passado eu fui promovido a Agile Coach, função que até então eu nunca havia desempenhado na minha carreira antes, apesar de estar trabalhando com Scrum e métodos ágeis de desenvolvimento de software desde 2010. Hoje, após meses exercendo esta função me sinto corajoso o suficiente para tentar definir a mesma e ajudar outras pessoas a trilhar este caminho.

Agile Coach foi um termo que passou a ser falado em 2010 ao redor do mundo, popularizando-se por volta de 2012, sendo que no Brasil só atingiu um mínimo de popularidade em 2015, segundo dados do Google Trends. Em 2012 especificamente, ano em que o Spotify publicou seu famoso vídeo sobre Engineering Culture, Agile Coach nada mais era do que um Scrum Master “descolado” do Scrum, ou seja, um líder/mentor/facilitador em métodos ágeis, mas não obrigatoriamente Scrum.

Mais tarde, com a evolução dos modelos de agilidade em escala, passou-se a defender o papel de Agile Coach de maneira diferente do Scrum Master, com um propósito mais abrangente e menos operacional dentro das empresas ágeis. E é dessa evolução do Agile Coach que venho falar hoje.

Agile Master

Talvez você veja por aí o termo Agile Master também, mas ele sim é “apenas” (sem desmerecer) um Scrum Master mais genérico, que não prescreve somente o Scrum. Isso evita a criação de XP Master, Kanban Master, etc. Apenas tenha em mente que Agile Master não é o mesmo que Agile Coach.

Coach

Para quem não conhece o termo, um Coach é literalmente um técnico, uma pessoa responsável por ajudar pessoas a desenvolverem o seu potencial. Não confundir com um mentor, que seria uma pessoa mais experiente em uma área de conhecimento na qual a pessoa busca se aprofundar, embora um Coach também possa ser um mentor. Existem Coaches em diversas áreas, sendo os mais famosos os coaches de liderança (que atuam com executivos geralmente) e cada vez mais na área da computação, os Agile Coaches vem tomando um lugar cada vez mais expressivo nas empresas.

Um Agile Coach é um treinador de práticas ágeis. Na sua essência ele nasce como um Scrum Master experiente que possui um rol variado de dinâmicas e práticas ágeis e larga experiência aplicando métodos ágeis em times de desenvolvimento de produtos. É alguém que já vivenciou implantações de modelos ágeis antes, aprendeu com os erros de outros times e empresas, etc. Basicamente um Scrum Master calejado e com muita empatia, com estômago forte para os desafios e conflitos que vem junto com a agilidade em grande escala.

Com esse arsenal de recursos, ele capacita times a se tornarem ágeis mais rapidamente, empodera Scrum Masters, orienta Product Owners, remove impedimentos estratégicos e operacionais para adoção da agilidade em escala empresarial e muito mais. Em escala corporativa, cabe ao Agile Coach fazer a ponte cultural entre os times ágeis e as demais áreas “não-ágeis” da organização.

Pense no Agile Coach como o Scrum Master dos Scrum Masters. É a ele que recorrem quando possuem impedimentos do processo.

Vale ressaltar que o papel de coach, seja com qualquer expertise técnica, é algo que pode ajudar profundamente as pessoas e os times a evoluírem mais rapidamente rumo a uma condição-alvo desejada. Infelizmente a palavra hoje em dia sofre com a má atuação de muitos charlatães por aí. Os poucos Agile Coaches que conheço eu sei que fazem um trabalho sério, mas infelizmente não posso dizer o mesmo de vários coaches de outras áreas.

Rotina

Trabalho dentro da área de Governança de TI da empresa, uma vez que como Agile Coach não posso estar vinculado a nenhuma tribo de desenvolvimento específica, sou um recurso compartilhado entre as nove tribos que temos. A minha rotina como Agile Coach é divida entre um operacional e projetos. Até aí nenhuma novidade, não é mesmo?

Meu operacional principal é o coaching que faço com os Product Owners, Scrum Masters e Team Leaders (como chamamos os gerentes ágeis no Agibank). Além desse operacional tem o Scrum of Scrums, que é a reunião semanal com os Scrum Masters pra alinhar as práticas e processos, mediações de conflitos ocasionais, a organização mensal da Sprint Review dos times (que fazemos publicamente e chamamos de Demo) e uma avaliação mensal de indicadores dos times.

Já a parte de projetos envolve criação e melhoria contínua dos processos institucionalizados, capacitações em grande escala, criação de materiais de apoio e muito mais. Sempre visando a evolução do modelo desenhado originalmente e a disseminação de uma cultura ágil dentro da empresa.

Cultura

A parte mais difícil do trabalho do Agile Coach é ser agente transformador da mudança cultural de uma organização. Uma coisa é aplicar Scrum em um time, tal qual eu sempre estive acostumado a fazer como Scrum Master. Você consegue o apoio do seu chefe imediato e o resto é com você, não há muita mágica.

Quando se fala em diversos times trabalhando no modelo ágil, é necessário que exista o aval para criação de uma cultura ágil de desenvolvimento. É necessário educar as áreas que demandam os projetos que o modus operandi muda nesse novo modelo. É necessário empoderar os Product Owners para que consigam priorizar os backlogs com sucesso e que não sejam meros fantoches dos gerentes.

Formar times reais é uma prioridade aqui e o “eu” dá lugar ao “nós” quando o assunto são objetivos e entregas a serem feitas pelo time. E essa mentalidade não surge do dia pra noite, cabendo ao Agile Coach e outros líderes deste processo ágil serem os catalisadores dessa mudança.

Este não é exatamente um artigo pronto. Pretendo atualizar ele conforme for descobrindo mais facetas da minha nova função e até mesmo corrigi-lo caso meu entendimento se mostre equivocado com o passar do tempo.

Obviamente adoraria receber o seu feedback nos comentários.

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