Agile Trends Florianópolis/SC

Ontem terminou o Agile Trends Florianópolis 2018, um evento sobre agilidade na capital catarinense, mais especificamente na praia dos Ingleses. Eu estive lá durante os dois dias de eventos e a ideia deste artigo é compartilhar um pouco do que vi por lá e a impressão que tive do evento, que acontece também em outras capitais do país como Brasília e São Paulo.

Agile Trends
Agile Trends

A organização

O que me chamou mais a atenção no evento foi o formato. Eram cinco trilhas simultâneas, sendo quatro teóricas e uma prática, composta de workshops, mas tudo isso aconteceu em um mesmo espaço aberto. Sim, era um único salão com cinco coisas acontecendo ao mesmo tempo!

Mas como isso era possível? Será que funciona?

Eu me assustei quando percebi este formato ao entrar no hotel Oceania em Ingleses. Me lembrei da Campus Party, que era uma bagunça neste sentido, um monte de palestra gritando no microfone, com palcos muito próximos um do outro e um monte de gente que tentava desesperadamente entender alguma coisa. Mas aqui a coisa foi diferente.

Cada participante ganhava emprestado um rádio com um fone de ouvido ao entrar no salão. O rádio tinha cinco canais, um pra cada trilha e os palestrantes falavam em um microfone, mas sem alto falantes (o que não atrapalhava as outras palestras), a voz era transmitida via rádio aos dispositivos que estavam com a gente, fazendo com que escutássemos perfeitamente cada palestrante, com o bônus de conseguir dar uma zapeada de vez em quando olhando para os lados e trocando os canais do rádio para ver se a outra palestra estava melhor, isso foi animal!

Já estive em muitos eventos com trilhas simultâneas como TDC e é um saco quando tu está em uma palestra meia-boca e não sabe se tem outra melhor acontecendo em outra sala. Esse talvez seja meu principal elogio ao evento, pois essa sacada foi genial. Tu não tinha de estar bem na frente do palestrante para ouvir e conseguia ir de uma trilha à outra muito facilmente.

As Trilhas

As trilhas eram cinco, como comentei antes. Na trilha de Workshops, tínhamos dinâmicas e muita mão na massa com pessoas de mercado bem experientes apresentando suas técnicas, como o Andy Barbosa do Agile Institute Brasil. Eu não cheguei a participar de nenhum workshop, me ative mais às palestras mesmo, mas pareciam bem interessantes.

A trilha #1 era de Agile Coaching, como um foco muito grande em pessoas e team building. Muito grande mesmo, eram quase filosóficas e assisti poucas palestras aqui. Sinceramente eu esperava mais cases de transformação ágil e resoluções de conflito em escala corporativa, que é o que mais me aflige hoje na minha função como Agile Coach no Agibank. Não desmerecendo o conteúdo da trilha, longe disso, mas não era o que eu estava procurando.

A trilha #2 era de Scrum e Lean/Kanban. Essa sim teve muitos cases, em especial de Kanban. Ficou muito claro que o mercado parece estar cada vez menos interessado em falar sobre Scrum e estão voltando suas atenções para Kanban e Lean. Não é algo anormal na minha opinião, uma vez que conforme a maturidade dos times e das empresas aumentam na adoção de métodos ágeis, faz-se menos necessária a utilização de frameworks, por menores que sejam como o Scrum.

A trilha #3 era de DevOps, a trilha mais técnica de todo o evento. Foi uma trilha interessante, com bastante ferramental e cases de adoção de DevOps. Acho que foi o primeiro evento que tive a oportunidade de ver palestras de DevOps, justamente por causa do formato de organização open-space, uma vez que nos eventos tradicionais eu acabo enfurnado em  salas de métodos ágeis com foco maior em dinâmicas e facilitação.

E por fim, a trilha #4 era de Gestão de Produtos. Note como cada trilha possuía um apelo para um papel ágil específico com #1 Agile Coach, #2 Scrum Master, #3 Dev Team e #4 Product Owner. Achei bem interessante isso. Nesta trilha tivemos alguns cases, muita técnica para cocriação, priorização, MVP e muito mais coisas que todo PO tem de ter no seu cinto de utilidades.

Agile Trends
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Os pontos altos

O evento começou muito bem com a keynote Mari Zaparolli do PagSeguro (também conhecida como Mari Canvas), contando o case de transformação ágil deles. Muito bacana mesmo como eles montaram um time de 15 Agile Coaches na Governança de TI da empresa para ajudar os 100 times de desenvolvimento a rodarem os projetos de maneira ágil.

Outra palestra muito boa foi da Dieine, Agile Coach da HostGator, contando toda a jornada deles para adoção de agile em todas áreas da empresa, não apenas na área de desenvolvimento.

Também teve um case bacana de transformação na divisão de produto Fluig da Totvs, onde existia um problema muito grande de qualidade e velocidade nas entregas, resolvidos com a adoção de métodos ágeis, principalmente Scrum e Kanban por lá.

Pra quem curte Kanban, tiveram muitas palestras sobre o assunto, abordando adoção, disfunções, métricas e por aí vai. Na minha opinião ficou até meio repetitivo.

Enfim, acho que isto é o que posso resumir do evento. Certamente valeu a pena a viagem até Santa Catarina e fiquei bem curioso com o anúncio da edição do ano que vem em SP, que ocorrerá durante 6 dias em abril e será o maior evento de agilidade do Brasil de todos os tempos.

Quem sabe não nos topamos por lá?

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