Resenha – Getting Real

Getting Real

Hoje venho falar de outro excelente livro que acabei de ler recentemente, o Getting Real, da empresa de software 37signals. Apesar de conseguir ler em inglês com facilidade, acabei encontrando o dito-cujo gratuitamente e em português no site da empresa mesmo. Uma galera brasileira traduziu o livro e a empresa resolveu disponibilizá-lo gratuitamente na web. O livro é sensacional e abaixo compartilho um pouco das nuances do mesmo.

A Empresa

Tive meu primeiro contato com a 37signals no excelente livro Startup, da autora Jessica Livingston, que como o próprio nome sugere, conta a história de diversas startups de sucesso, incluindo Yahoo, Apple, Adobe, etc. A 37signals está na lista do livro e ao longo dos anos fui descobrindo mais e mais coisas bacanas sobre a empresa, que na minha opinião, é uma das empresas mais cool que alguém poderia trabalhar em termos de ambiente de trabalho e projetos legais.

Atualização em 20/04/17: essa empresa agora se chama Basecamp, em alusão ao seu produto mais famoso.

A 37signals é o tipo de empresa pequena que fatura grande, no melhor estilo lifestyle business, mas sem deixar de ser uma startup. Eles trabalham com desenvolvimento de software web em equipes pequenas e de alto desempenho, semelhante ao que o Scrum prega. Entenda alto desempenho como equipes com poucas pessoas mas altamente capacitadas, com anos de experiência, muita criatividade, boa lógica e que dominam não somente código mas interface. Deve ser bem difícil para os caras encontrarem gente assim…

Entre os produtos da empresa está o famoso BaseCamp, um anti-MS Project online, muito mais simples e intuitivo. Mas para mim este não é o projeto mais interessante da empresa, mas sim o framework Rails, para a linguagem de programação Ruby. Se hoje tem uma galera se divertindo programando Ruby on Rails é graças aos caras dessa empresa (mais especificamente o DHH) que desenvolveu o framework original e abriu pra galera contribuir. Muito fera.

O Livro

A 37signals tem anos de mercado e um jeito peculiar de trabalhar e encarar seus projetos. Neste livro eles mostram o seu método de trabalho, que eles chamam de Getting Real (Caindo na Real), um método extremamente prático, dinâmico e ágil. Eles pregam muitos itens que já li no Scrum Guide, já aprendi no curso de Professional Scrum Developer e entre tantos outros lugares que falam de metodologias ágeis (como XP).

O livro não existe oficialmente em português (até onde sei) mas tradutores autorizados pela empresa traduziram pro portuga e disponibilizaram tudo em um link dentro do site da própria empresa. Sim, isso mesmo. Você podem conferir o livro na íntegra em http://gettingreal.37signals.com/GR_por.php.

O que eles ganham com isso?

De onde eles tiram o lucro em um livro distribuído gratuitamente?

Chris Anderson explica isso muito bem em sua obra intitulada Free: O Futuro dos Preços. Dar o seu livro Getting Real faz com que as pessoas tenham acesso a inúmeros benefícios intelectuais e em troca proporcionam alguns ganhos à 37signals, que em um primeiro momento não são monetários.

O primeiro deles é o conhecimento da empresa. Em um mercado de Googles e Microsofts fica difícil conseguir “aparecer” na mídia, e dar um ótimo livro de graça faz com que as pessoas tenham mais simpatia pela sua empresa (eu mesmo faço isso com o livro Meu primeiro app Android).

Segundo, na página do livro tem links para que você possa comprá-lo impresso ou em PDF, lhe poupando os olhos de ler no LCD do PC, hehehehe.

Terceiro, na página do livro você vê um banner de propaganda do site de emprego deles, e acaba ficando curioso por conhecê-lo (eles cobram das empresas anunciantes pelo serviço de postar vagas lá).

Quarto, no livro eles falam sobre quase todos os seus produtos, o que pode ser considerado um “jabá” do caramba, mas que se encaixa bem como exemplo da utilização bem-sucedida de seus métodos, e a menção dos mesmos desperta curiosidade por conhecê-los.

E por último, no Getting Real eles fazem menção ao Rework, o seu mais novo livro que não existe disponível na Internet, apenas comprando tradicionalmente.

Sendo assim, em nenhum momento eles perdem dinheiro uma vez que dificilmente o povo brasileiro teria acesso à essa obra ou sequer conhecimento da mesma e o custo da tradução (voluntária) e distribuição (Internet) são gratuitos. E aí, será que eles tem prejuízo com a disponibilização online do livro?

A Resenha

Resumidamente, o livro é muito bom.

E quando eu falo muito bom não é pouca coisa porque sou chato pra caramba com livros. Extremamente aplicável, os conceitos apresentados no livro são um balde de água fria nos métodos tradicionais de engenharia de software, principalmente quando estamos falando de software web. E não estamos falando de teóricos anarquistas querendo apenas causar impacto nos leitores. Estamos falando de uma empresa altamente rentável compartilhando suas experiências e metodologias com os outros, gratuitamente.

Dividido em capítulos curtos, com linguagem coloquial e cheia de depoimentos de outras pessoas que “caíram na real”, a leitura é prazerosa e rápida. Leia um capítulo enquanto que pega o ônibus ou metrô para ir para casa. Leia outro antes de dormir. No intervalo do almoço. Cada seção detalha como “cair na real” em um aspecto diferente dos seus projetos, desde o planejamento, o desenvolvimento, o lançamento, o “beta”, os bugs e por aí vai.

Eu passei esse link para o pessoal do meu serviço e todo mundo que teve a oportunidade de ler um ou dois capítulos adorou o livro, incluindo nosso CEO, que não mete mais a mão na massa nos softwares há anos.

Getting Real obviamente possui muitas coisas que você não vai concordar. E esse não é objetivo do livro, eles não se consideram uma “bala de prata”. Na verdade nenhuma metodologia devia ser encarada como “verdade universal”. Getting Real é para instigar os leitores a melhorarem seus processos. A encararem seus problemas de frente. Melhorarem a comunicação de sua equipe. Diminuírem os custos e prazos de seus projetos. É dar aos usuários o que eles precisam e não o que eles acham que precisam. É sobre ser um profissional melhor.

Fecho essa curta resenha com um dos parágrafos mais marcantes do livro, que caracteriza bem a forma como vejo meu trabalho e de mais alguns colegas aqui na RedeHost:

“Você precisa de pessoas que são apaixonadas pelo que fazem. Pessoas que se importam pelo seu artesanato – e que realmente acham que é um artesanato. Pessoas que se orgulham do seu trabalho, independentemente da recompensa monetária envolvida. Pessoas que suam nos detalhes mesmo que 95% das pessoas nem saibam distinguir as diferenças. Pessoas que querem construir alguma coisa grande e não se conformam com menos. Pessoas que precisam de pessoas. Ok, não necessariamente essa última coisa mas não iríamos resistir não jogar um pouco de Streisand na mistura. De qualquer forma, quando encontrar essas pessoas, segure-se nelas. No final, as pessoas da sua equipe farão ou quebrarão seu projeto – e sua empresa.”

Se esse parágrafo lhe parece uma “história pra boi dormir” (a.k.a. “conto da carochinha”), então esse livro não é para você. Se isso é a sua realidade ou você gostaria que fosse, não perca tempo e acesse este link, afinal, o que você tem à perder?

Resenha – O Monge e o Executivo

Pra espanar um pouco a poeira do blog pensei em fazer essa recomendação de livro que li há poucos dias. Ok, o livro já não é novidade e mesmo eu tendo lido há pouco tempo eu já o conhecia há anos.

Quem me conhece sabe que sou um pouco cético quanto a esse tipo de livro que intitulo de “auto-ajuda profissional”, mas decidi largar o ceticismo de lado e comprá-lo por uma bagatela. Depois da leitura admito que valeu cada centavo. O intuito deste post é, além de resumir a obra sem estragar a diversão, falar um pouco da minha experiência com o mesmo.

O Livro

O Monge e o Executivo (The Servant nos EUA) é um livro pequeno, com 140 páginas aproximadamente. Sua fonte é mediana e o mesmo é organizado em capítulos, o que facilita a leitura para pessoas super atarefadas que não dispõem de longas horas para leitura. Eu particularmente lia um capítulo ou dois antes de deitar todas as noites. A leitura é agradável, em vez de nos descer goela abaixo centenas de teorias de liderança e administração, o autor nos conta uma “historinha” fictícia e que nos ajuda a compreender melhor os conceitos e até mesmo nos identificarmos mais com o livro. Em 12 anos o livro vendeu 200 mil exemplares nos EUA. Já no Brasil passou da marca 2,4 milhões de exemplares, se tornando o maior sucesso da história da Editora Sextante.

A História

O livro narra a história de John Daily, um executivo estadunidense que possui um cargo de liderança em uma grande empresa que fatura milhões. Ele é marido de um psicóloga e pai de dois filhos. O que aparentemente seria uma vida perfeita, profissional e pessoal, está em colapso.

John começa a notar que sua vida está ruindo, como líder, como marido e como pai. Aceitando a sugestão de sua esposa e do pastor local, John vai para um mosteiro em Michigan ficar uma semana com um grupo de monges para espairecer e para colocar sua vida em ordem. Na verdade o que chama a atenção do executivo (e que dá nome à versão portuguesa) é um monge do mosteiro chamado Simeão (nome este que tem um significado místico para John) que na verdade é Leonard Hoffman, um ex-empresário de sucesso que largou tudo e se dedicou ao mosteiro integralmente por ter encontrado a paz e a felicidade.

Simeão se torna o mentor de John e outros líderes que vieram para o “curso”, ensinando-os as virtudes de um líder verdadeiro, como amor, empatia, humildade e autoridade. Com diálogos cheios de referências históricas e frases de grandes pensadores, a narrativa é rica em detalhes e nos faz refletir sobre o nosso próprio comportamento, seja como líderes, maridos, etc.

Os Personagens

Além do personagem principal, John Daily, e do monge Simeão, existem outros colegas de retiro de John, entre eles um pastor, uma treinadora de baseball, uma enfermeira e um militar (acho que tem outros, mas já esqueci, hehehe). Embora os mais leigos acabem odiando o sargento (Greg) ele acaba se tornando um dos elementos principais da história, fazendo o papel de “do contra” e questionador da aplicabilidade das técnicas de liderança ensinadas por Simeão.

Quem realmente entende a história percebe que todos nós temos um pouco de “Greg”. Sinceramente se não existisse o personagem do militar no livro a leitura não seria tão proveitosa.

Fica aí a dica para quem não leu. Obviamente eu não sou o primeiro a indicar este livro e com certeza não serei o último.